Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 (nº 9)

CESGRANRIO2018Comum Nível Médio IIILíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

O ano da esperança

O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinheiro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a consciência de que era uma doação. A situação foi piorando. Os argumentos também. No início era para pagar a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes. Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que sofreu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações, remédios. A situação piorando, eu já estava encomendando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamente. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu não ajudava mais.

Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o emprego após o suposto acidente. Foi por isso que me deixei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar.

Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão surgir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova consciência para votar. Como? Num mundo em que as notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escrevo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. Respondo:

— Nunca foi para acontecer. Era mentira da internet. Duvidam. Acham que estou mentindo.


O emprego do acento indicativo de crase está de acordo com a norma-padrão em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Crase é a fusão de duas vogais “a”: a preposição “a” (exigida por um verbo ou nome) + o artigo “a” (que acompanha uma palavra feminina). Só usamos crase antes de palavra feminina, e ela aparece quando o termo anterior “pede” a preposição e o termo seguinte aceita o artigo.

  • (A) Incorreta: A locução adverbial “à esmo” não existe com crase; o correto é “a esmo” (sem acento), pois “esmo” é um substantivo masculino que não admite artigo feminino.
  • (B) Incorreta: Em “dia a dia” (locução adverbial de tempo), não há crase, pois se trata de repetição de palavras masculinas sem preposição “a” + artigo; o correto é “no dia a dia”.
  • (C) Incorreta: A expressão correta é “a prazo” (sem crase), pois “prazo” é palavra masculina e não admite artigo “a”; a preposição “a” sozinha não recebe acento.
  • (D) Incorreta: “Devido a” exige preposição “a”, mas “interferências” está no plural e sem artigo definido “as”; como não há o artigo, não há fusão, então o correto é “devido a interferências” (sem crase). Armadilha da banca: o aluno vê “devido à” e acha que sempre leva crase, mas falta o artigo plural “as” para justificar a fusão.
  • (E) Correta: O verbo “entregar” exige preposição “a” (entregar algo a alguém) e “emissora” é palavra feminina que admite artigo “a” (a emissora). A fusão “a + a = à” é obrigatória: “entregou a sinopse à emissora”.

Fonte: CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 Conhecimentos Comuns (Nível Médio III). Reproduzida para fins de estudo.

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