Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 (nº 5)

CESGRANRIO2018Comum Nível Médio IIILíngua Portuguesa
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O ano da esperança

O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinheiro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a consciência de que era uma doação. A situação foi piorando. Os argumentos também. No início era para pagar a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes. Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que sofreu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações, remédios. A situação piorando, eu já estava encomendando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamente. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu não ajudava mais.

Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o emprego após o suposto acidente. Foi por isso que me deixei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar.

Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão surgir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova consciência para votar. Como? Num mundo em que as notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escrevo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. Respondo:

— Nunca foi para acontecer. Era mentira da internet. Duvidam. Acham que estou mentindo.


No trecho “perde-se o dinheiro e o amigo” (ℓ. 4-5), a colocação do pronome átono em destaque está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
O mesmo ocorre em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Colocação pronominal é a regra que define onde o pronome átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) pode ficar em relação ao verbo: antes (próclise), no meio (mesóclise) ou depois (ênclise). A regra básica: palavra negativa (não, nunca, jamais) atrai o pronome para antes do verbo (próclise). Sem palavra atrativa, o padrão é depois do verbo (ênclise), mas há exceções como futuro do presente e do pretérito (mesóclise) e proibição de ênclise com verbo no particípio.

  • (A) Correta: A palavra "Não" é um advérbio de negação, que atrai o pronome para antes do verbo (próclise): "Não se perde". É exatamente o mesmo caso do texto: "perde-se" (sem atrator) vs. "não se perde" (com atrator).
  • (B) Incorreta: Verbo no futuro do pretérito ("perderia") exige mesóclise (pronome no meio do verbo: "perder-se-ia"), não ênclise. A forma "Perderia-se" viola a norma-padrão.
  • (C) Incorreta: Verbo no particípio ("perdido") não admite ênclise (pronome depois). O correto seria "tinham se perdido" (próclise com locução verbal) ou "tinham perdido a si mesmos" (sem pronome átono).
  • (D) Incorreta: Aqui "Se" é uma conjunção condicional ("Se perdeu o dinheiro..." = "Caso perca o dinheiro"), não um pronome. A frase nem tem pronome átono; é uma armadilha para confundir "se" conjunção com "se" pronome.
  • (E) Incorreta: A palavra atrativa "que" (pronome relativo) exige próclise: o correto é "que se perdeu", não "que perdeu-se". A ênclise após "que" é proibida.

Armadilha da banca na (D): O aluno vê "Se" no início e pensa que é pronome, mas é conjunção condicional. A banca testa se você distingue as funções do "se". Na (B), a pegadinha é o verbo no futuro do pretérito, que pede mesóclise — muitos decoram "ênclise é o padrão" e esquecem essa exceção.

Fonte: CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 Conhecimentos Comuns (Nível Médio III). Reproduzida para fins de estudo.

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