Questão nº 8

Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 (nº 8)

CESGRANRIO2018Comum Nível Médio IIILíngua Portuguesa
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O ano da esperança

O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinheiro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a consciência de que era uma doação. A situação foi piorando. Os argumentos também. No início era para pagar a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes. Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que sofreu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações, remédios. A situação piorando, eu já estava encomendando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamente. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu não ajudava mais.

Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o emprego após o suposto acidente. Foi por isso que me deixei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar.

Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão surgir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova consciência para votar. Como? Num mundo em que as notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escrevo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. Respondo:

— Nunca foi para acontecer. Era mentira da internet. Duvidam. Acham que estou mentindo.


O último parágrafo do texto (ℓ. 43) está reescrito de modo a manter-se seu sentido original em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Conceito-chave: Sinônimos são palavras ou expressões que têm sentido equivalente em um contexto, mas a banca testa se você percebe a intensidade e a direção da afirmação. No texto, o autor diz que as pessoas duvidam e acham que ele está mentindo — a reescrita correta precisa manter exatamente essa dupla ideia: não acreditar + acusar de falsidade.

  • (A) Correta: Mantém o sentido original: "Duvidam" = "Não acreditam"; "Acham que estou mentindo" = "Entendem que estou faltando com a verdade" (faltar com a verdade = mentir). É a única que preserva a acusação de mentira.
  • (B) Incorreta: Diz que eles acham que ele fala a verdade — inverte completamente o sentido do texto, que afirma que o autor é acusado de mentir.
  • (C) Incorreta: "Negam que estou faltando com a verdade" significa que eles recusam a ideia de mentira, ou seja, acreditam nele — o oposto do que o texto diz.
  • (D) Incorreta: "Negligenciando a verdade" é diferente de "mentindo"; negligenciar é omitir-se por descuido, não inventar uma falsidade. A banca troca o verbo para confundir.
  • (E) Incorreta: "Me omitindo" também não é sinônimo de "mentindo". Omitir é calar algo, enquanto o texto diz que ele foi acusado de inventar histórias falsas. Armadilha da banca: as letras (D) e (E) usam termos vagos como "negligenciar" e "omitir" que parecem plausíveis, mas não carregam a ideia de falsidade ativa presente em "mentir".

Fonte: CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 Conhecimentos Comuns (Nível Médio III). Reproduzida para fins de estudo.

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