Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 (nº 7)
O ano da esperança
O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinheiro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a consciência de que era uma doação. A situação foi piorando. Os argumentos também. No início era para pagar a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes. Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que sofreu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações, remédios. A situação piorando, eu já estava encomendando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamente. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu não ajudava mais.
Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o emprego após o suposto acidente. Foi por isso que me deixei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar.
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão surgir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova consciência para votar. Como? Num mundo em que as notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escrevo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. Respondo:
— Nunca foi para acontecer. Era mentira da internet. Duvidam. Acham que estou mentindo.
Considere o trecho “Depois vieram as mães e avós doentes.” (ℓ. 8-9).
A frase em que se emprega uma flexão do verbo destacado, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, é:
- ANão sei o que fazer depois que vinherem as mães e avós doentes.
- BDepois que as mães e avós doentes virem, faremos alguma coisa.
- CDepois que eu vim, as mães e avós doentes ficaram curadas. (alternativa correta)
- DDepois, as mães e avós doentes tiveram vindo até aqui.
- ETalvez seja melhor ir depois de vierem as mães e avós doentes.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: Verbos irregulares como vir têm formas próprias no pretérito perfeito (eu vim) e no futuro do subjuntivo (quando vier). A pegadinha é confundir a escrita de vim (passado) com vir (futuro) ou com formas inexistentes como vinherem.
- (A) Incorreta: Vinherem não existe em nenhuma conjugação do verbo vir; o futuro do subjuntivo é vierem.
- (B) Incorreta: Virem é forma do verbo ver (futuro do subjuntivo), não do verbo vir; para vir, seria vierem.
- (C) Correta: Vim é a 1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo do verbo vir, exatamente como no trecho original (“Depois vieram” = 3ª pessoa do plural do mesmo tempo). A frase “Depois que eu vim” está correta e mantém o sentido de passado concluído.
- (D) Incorreta: Tiveram vindo é locução verbal com ter + particípio, mas o verbo vir não usa particípio regular nesse contexto; o correto seria tinham vindo (pretérito mais-que-perfeito composto), e a frase soa artificial.
- (E) Incorreta: Vierem é futuro do subjuntivo, mas a preposição de exige o infinitivo vir (“depois de vir as mães”), não o futuro do subjuntivo; além disso, a construção “depois de vierem” é agramatical.
Fonte: CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 Conhecimentos Comuns (Nível Médio III). Reproduzida para fins de estudo.