Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 (nº 3)
O ano da esperança
O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinheiro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a consciência de que era uma doação. A situação foi piorando. Os argumentos também. No início era para pagar a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes. Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que sofreu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações, remédios. A situação piorando, eu já estava encomendando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamente. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu não ajudava mais.
Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o emprego após o suposto acidente. Foi por isso que me deixei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar.
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão surgir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova consciência para votar. Como? Num mundo em que as notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escrevo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. Respondo:
— Nunca foi para acontecer. Era mentira da internet. Duvidam. Acham que estou mentindo.
No penúltimo parágrafo, o autor do texto revela ser autor de novelas, mas reclama
- Ado assédio dos fãs.
- Bda falta de privacidade quando anda pelas ruas.
- Cdos casos de amor que atribuem a ele nas redes sociais.
- Dda necessidade de ter consciência na hora de votar.
- Edas versões falsas publicadas na internet das histórias de suas novelas. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: A questão pede para identificar a reclamação específica que o autor faz no penúltimo parágrafo. Reclamar é expressar insatisfação com algo. No texto, ele não reclama de fãs, privacidade ou votos, mas sim de notícias falsas publicadas sobre ele e sobre as tramas que escreve.
- (A) Incorreta: O autor não menciona fãs o assediando em nenhum momento; sua queixa é sobre mentiras divulgadas, não sobre contato físico ou abordagens.
- (B) Incorreta: Ele não fala em ser abordado nas ruas ou sobre falta de privacidade física; o problema relatado é virtual, restrito à internet.
- (C) Incorreta: Ele cita "casos de amor" inventados, mas isso é apenas um exemplo dentro da reclamação maior sobre mentiras na internet, e não o foco central da queixa.
- (D) Incorreta: Ele menciona que "todos pedem consciência para votar", mas isso é uma constatação sobre o cenário político, não uma reclamação pessoal dele como autor de novelas.
- (E) Correta: No penúltimo parágrafo, ele diz "Já contaram cada história a meu respeito" e "Já inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escrevo", reclamando diretamente das versões falsas publicadas na internet sobre suas novelas. A armadilha da banca está na alternativa (C), que usa uma parte do texto ("casos de amor") para tentar te fazer esquecer que isso é só um detalhe da reclamação maior sobre a falsidade das notícias veiculadas.
Fonte: CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2018 Conhecimentos Comuns (Nível Médio III). Reproduzida para fins de estudo.