Questão nº 18

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 (nº 18)

CEBRASPE2025Auditor Federal de Controle Externo - Área de Controle Externo / Orientação: Auditoria de Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa

Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Julgue os itens a seguir, referentes a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.


No segmento “Enquanto lei natural” (quarto período), o termo “Enquanto” expressa circunstância de tempo concomitante.

Resposta comentada

O conceito-chave aqui é que "enquanto" pode ter dois valores: temporal (durante o tempo em que algo acontece) ou concessivo/causal (equivalente a "na medida em que", "já que", "por ser"). Para saber qual é o caso, troque a palavra na frase: se fizer sentido com "durante o tempo em que", é tempo; se fizer sentido com "já que", é outra coisa.

  • Correta: Errado. No trecho, "Enquanto lei natural" significa "na medida em que é lei natural" (ou "por ser lei natural"), e não "durante o tempo em que é lei natural" — a banca torceu o sentido ao dizer que expressa "circunstância de tempo concomitante".

Como ficaria certo: No segmento “Enquanto lei natural”, o termo “Enquanto” expressa circunstância de causa (ou concessão), equivalendo a "por ser lei natural".

Fonte: CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 Auditor Federal de Controle Externo - Área de Controle Externo / Orientação: Auditoria de Tecnologia da Informação. Reproduzida para fins de estudo.

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