Questão nº 2
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 (nº 2)
De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.
À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.
Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os seguintes itens.
Das relações coesivas do quarto período do segundo parágrafo conclui-se que a forma pronominal “lo”, em “postá-lo”, retoma não um vocábulo específico, mas a ideia expressa na primeira oração do período, motivo por que “lo” se classifica, na oração em que ocorre, como um pronome demonstrativo.
Resposta comentada
O conceito-chave aqui é referenciação pronominal: pronomes como "lo", "o", "a" são anafóricos quando retomam um termo já dito (um substantivo, uma oração inteira, etc.). A pegadinha está em classificar o tipo de pronome: "lo" é um pronome pessoal oblíquo (função de objeto direto), e não um pronome demonstrativo, mesmo que retome uma ideia inteira.
- Correta: Errado. O erro está em afirmar que "lo" se classifica como "pronome demonstrativo" — ele é um pronome pessoal oblíquo (forma variante de "o"), e a retomada de uma ideia inteira não muda sua classe gramatical.
No trecho "postá-lo", o "lo" retoma a ideia de "escrever um poema sobre sua experiência" (a oração anterior), mas isso não o torna demonstrativo. A classificação correta é pronome pessoal do caso oblíquo, usado como objeto direto. O item torce o conceito ao confundir referente (o que ele retoma) com classe gramatical (o tipo de palavra que ele é).
Como ficaria certo: Das relações coesivas do quarto período conclui-se que a forma pronominal "lo", em "postá-lo", retoma a ideia expressa na primeira oração do período, motivo por que "lo" se classifica, na oração em que ocorre, como um pronome pessoal oblíquo.
Fonte: CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 Auditor Federal de Controle Externo - Área de Controle Externo / Orientação: Auditoria de Tecnologia da Informação. Reproduzida para fins de estudo.