Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 (nº 5)
De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.
À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.
Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os seguintes itens.
Entende-se da leitura do texto que o dataísmo nega o caráter subjetivo das experiências humanas postulado pelo humanismo.
Resposta comentada
O conceito-chave é que humanismo e dataísmo são visões opostas sobre de onde vem o significado. O humanismo diz que o sentido está dentro de cada um (subjetivo, interior). O dataísmo diz que o sentido só existe quando a experiência é transformada em dados compartilhados (objetivo, externo), e que o interior não importa.
- Correta: Certo. O texto afirma que o dataísmo acredita que "não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior", o que é uma negação direta do postulado humanista de que as experiências ganham sentido dentro de nós.
Fica de olho: a banca pode inverter a lógica dizendo que o dataísmo valoriza a subjetividade (porque fala de "experiências profundas"), mas o texto deixa claro que o valor está só no fluxo de dados externo, não na vivência interna — então qualquer alternativa que aproxime dataísmo de subjetividade é pegadinha.
Fonte: CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 Auditor Federal de Controle Externo - Área de Controle Externo / Orientação: Auditoria de Tecnologia da Informação. Reproduzida para fins de estudo.