Questão nº 64

Questão de Direito Civil · CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR (nº 64)

CEBRASPE2025Auditor de Controle Externo - Área: DireitoDireito Civil
Gabarito: Bver comentário ↓

Um motorista de veículo automotor, ao desviar de uma manobra brusca e imprudente de outro condutor, colidiu com um automóvel regularmente estacionado. Sua conduta, embora praticada em estado de necessidade e isenta de culpa, resultou de ato voluntário que não se equipara a caso fortuito ou força maior.

Nessa situação hipotética, conforme o Código Civil e a jurisprudência do STJ, o motorista que colidiu com o automóvel estacionado

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Estado de necessidade é quando alguém destrói ou danifica coisa alheia (ou agride pessoa) para salvar um bem próprio ou de terceiro de perigo iminente que não provocou. O ato é lícito (não é ilícito, não gera dever de indenizar por ato ilícito), mas, se causou dano a inocente, a lei impõe reparação do prejuízo — é uma obrigação de equidade, não punição. A pegadinha da banca está em confundir "ato lícito" com "sem dever de indenizar": licitude não elimina o dever de reparar o dano causado a terceiro que nada teve a ver com o perigo.

  • (A) Incorreta: Não há ato ilícito do motorista que desviou (ele agiu em estado de necessidade), e a solidariedade exige ilicitude de ambos; o terceiro imprudente responde, mas não em solidariedade com quem agiu licitamente.
  • (B) Correta: O ato é lícito, mas o Código Civil (art. 188, parágrafo único) e o STJ determinam que, se o dano foi causado a terceiro inocente, o agente deve reparar o prejuízo — mesmo sem culpa, por equidade e justiça distributiva.
  • (C) Incorreta: A licitude do ato não afasta o dever de reparar; a lei separa "ato lícito" de "isenção de responsabilidade civil" — aqui há dano injusto a ser compensado.
  • (D) Incorreta: O terceiro imprudente também responde, mas isso não exime o motorista que causou o dano direto; a vítima (dono do carro estacionado) pode cobrar de qualquer um dos causadores, e o motorista que pagou pode regressar contra o terceiro.
  • (E) Incorreta: Não há ato ilícito (não há culpa nem dolo), mas há dever de reparar; a alternativa confunde ilicitude com responsabilidade objetiva por ato lícito.

Fonte: CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR Auditor de Controle Externo - Área: Direito. Reproduzida para fins de estudo.

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