Questão nº 43

Questão de Direito Civil · CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P1 Conhecimentos Gerais (nº 43)

CEBRASPE2025Auditor Fiscal de Receitas EstaduaisDireito Civil
Gabarito: Dver comentário ↓

Os pais de Felipe, morto em acidente aéreo, ajuizaram ação de reparação de danos morais e materiais pelo fato. A causa de pedir fundamentou-se na alegada culpa do piloto e do proprietário da aeronave, os quais, também falecidos no acidente, haviam decolado sem abastecimento adequado e sem habilitação.

A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta segundo a jurisprudência do STJ.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Conceito-chave: A prescrição é o prazo que você tem para cobrar um direito na Justiça. No caso de indenização por acidente aéreo, o prazo começa a correr a partir do evento danoso (a data do acidente), e não depende do que acontece na esfera criminal. A morte dos supostos culpados impede o processo penal, mas não impede nem suspende o prazo para você entrar com a ação cível.

  • (A) Incorreta: A prescrição civil não espera o trânsito em julgado (decisão final) de uma ação penal; ela corre de forma independente, a partir do acidente.
  • (B) Incorreta: A sentença penal condenatória, mesmo recorrível, não é o marco inicial da prescrição cível; o prazo já corre desde o fato danoso.
  • (C) Incorreta: Não há prejudicialidade obrigatória (dependência) entre as esferas cível e penal; a responsabilidade civil pode ser apurada sem a criminal.
  • (D) Correta: A prescrição da pretensão indenizatória pode correr normalmente, pois, com a morte dos pilotos, a persecução penal (processo criminal) é extinta, mas isso não interfere no prazo da ação cível, que já está em curso desde o acidente.
  • (E) Incorreta: A ausência de ação penal por morte dos responsáveis não suspende o prazo prescricional da esfera cível; a suspensão só ocorreria em casos específicos previstos em lei, como a pendência de questão prejudicial obrigatória, o que não é o caso.

Armadilha da banca (distrator mais tentador): A letra E parece lógica, pois muitos alunos acham que "se não há criminoso para punir, a investigação precisa terminar para eu cobrar na Justiça". Mas o STJ entende que a morte do agente extingue a punibilidade penal, e a investigação não levará a nada. Como o direito civil é autônomo, o prazo de prescrição não pode ficar suspenso indefinidamente aguardando um processo criminal que nunca vai existir.

Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P1 Conhecimentos Gerais Auditor Fiscal de Receitas Estaduais. Reproduzida para fins de estudo.

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