Questão nº 69
Questão de Auditoria · CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos I (nº 69)
Em determinada entidade, identificam-se riscos associados a registros incorretos do passivo circulante e não circulante, havendo, inclusive, passivos fictícios, passivos já pagos não baixados e falta de registro dos passivos de curto prazo. Além disso, identificam-se situações de aumento de capital sem comprovação da entrega dos recursos e situações de contabilização inadequada de reservas e subvenções, bem como problemas em contas de resultado com ocultação de receitas e superavaliação de custos e despesas.
A partir da situação hipotética precedentes, assinale a opção em que é apresentada uma abordagem integrada de auditoria que proporcionaria maior segurança na identificação de erros, fraudes e manipulações na escrita fiscal da entidade em apreço.
- Aintegrar a análise dos registros e evidências documentais dos passivos, do patrimônio líquido e das contas de resultado com a aplicação de testes de consistência e de auditoria na escrita fiscal (alternativa correta)
- Baplicar testes quantitativos e estatísticos aos registros contábeis, sem considerar o contexto qualitativo e sem a necessidade de cruzar informações de diferentes fontes
- Cavaliar exclusivamente as informações gerenciais registradas nos sistemas contábeis, considerando que os controles internos já absorvem todas as inconsistências
- Drealizar procedimentos isolados para cada área (passivo, patrimônio, contas de resultado e escrita fiscal), sem promover a inter-relação entre os diversos controles e registros
- Efocar a investigação nos passivos de curto prazo e no patrimônio líquido, ignorando-se as análises das contas de resultado e da escrita fiscal, uma vez que essas áreas são de menor risco
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O conceito-chave aqui é que fraudes e erros raramente ficam isolados em uma única conta: um passivo fictício geralmente “nasce” de uma despesa superavaliada, e um aumento de capital sem lastro pode estar ligado a receitas ocultas. Por isso, a auditoria eficaz exige visão sistêmica — cruzar contas patrimoniais com contas de resultado e com a escrita fiscal (impostos), usando testes de consistência (verificar se os números batem entre si e com documentos) e testes substantivos (confirmar saldos com fontes externas). A banca quer que você perceba que a segurança vem da integração, não de análises isoladas.
- (A) Correta: É o gabarito porque propõe exatamente a abordagem integrada: analisar passivo, PL e resultado em conjunto, cruzando com evidências documentais e testes de consistência na escrita fiscal — isso detecta manipulações que afetam várias contas ao mesmo tempo.
- (B) Incorreta: Aplicar apenas testes quantitativos sem contexto qualitativo e sem cruzar fontes é ineficaz, pois números “consistentes” podem esconder fraudes bem montadas; a banca tenta te atrair com “estatística”, mas auditoria exige julgamento e evidência externa.
- (C) Incorreta: Confiar só nos sistemas contábeis e controles internos é ingênuo — o auditor deve testar os controles, não assumir que funcionam; além disso, a fraude pode estar justamente dentro do sistema.
- (D) Incorreta: Procedimentos isolados por área é a armadilha clássica: o auditor que olha só o passivo não vê que a despesa inflada no resultado criou o passivo fictício; a falta de inter-relação deixa fraudes “costuradas” entre contas passarem despercebidas.
- (E) Incorreta: Ignorar contas de resultado e escrita fiscal é um erro grave, pois é nelas que aparecem as distorções que sustentam os passivos fictícios (superavaliação de custos) e as manipulações de PL (ocultação de receitas); a banca tenta te convencer de que “curto prazo é mais arriscado”, mas o risco está na interconexão.
Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos I Auditor Fiscal da Receita Estadual (Caderno Conhecimentos Específicos I). Reproduzida para fins de estudo.