Questão nº 16
Questão de Língua Portuguesa · FGV TJSC 2018 (nº 16)
Texto 2:
Inteligência e sabedoria não são a mesma coisa. Entretanto, na linguagem cotidiana, usamos os dois termos indistintamente. Vivemos em uma sociedade onde a eficiência e os resultados são valorizados. Aparentemente, apenas os mais inteligentes estão destinados a obter sucesso. No entanto, apenas os sábios conseguem uma felicidade autêntica. Eles são guiados por valores e preocupados em fazer uso da bondade, aplicando uma visão mais otimista à vida.
Se procurarmos agora no dicionário o termo sabedoria, será encontrada uma definição simples: a faculdade das pessoas de agir de maneira sensata, prudente ou correta. Sendo assim, a primeira pergunta que vem à mente é: a inteligência não nos dá a capacidade de nos movimentarmos no nosso dia a dia da mesma maneira? Um QI médio ou alto não nos garante a capacidade de tomar decisões acertadas?
É claro que sim. Também é claro que quando falamos de inteligência surgem diferentes nuances. Por isso, o tipo de personalidade e a maturidade emocional são fatores que influenciam mais concretamente as realizações das pessoas. Isso também é verdadeiro em relação à capacidade de investir mais ou menos em seu próprio bem-estar e no dos outros.
Em vista disso, inteligência e sabedoria são dois conceitos interessantes. Assim, poderemos ter uma ideia mais precisa e útil do que realmente são. Afinal, se queremos algo, além de ter um alto QI, é necessário desenvolver uma sabedoria excepcional e moldar uma personalidade virtuosa. Isso vai um passo além do cognitivo e do emocional.
“A verdadeira sabedoria está em reconhecer a própria ignorância.” Sócrates.Disponível em https:amentemaravilhosa.com.br/inteligencia-e-sabedoria/
A frase final do texto 2, atribuída a Sócrates, liga a sabedoria:
- Aao orgulho;
- Bà bondade;
- Cà temperança;
- Dà humildade; (alternativa correta)
- Eà justiça.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conceito-chave: A frase de Sócrates diz que reconhecer os próprios limites e não saber é o começo da sabedoria. Isso é exatamente o oposto de se achar superior ou dono da verdade — ou seja, é um ato de humildade intelectual.
- (A) Incorreta: O orgulho é o oposto de reconhecer a própria ignorância; quem é orgulhoso acha que sabe tudo, enquanto Sócrates valoriza a postura de quem admite não saber.
- (B) Incorreta: A bondade é citada no texto como uma característica dos sábios, mas a frase final de Sócrates foca especificamente no autoconhecimento e na limitação do saber, não em agir com bondade.
- (C) Incorreta: Temperança (moderação/equilíbrio) não é o tema da citação; a frase trata da relação com o próprio conhecimento, não com o controle de desejos ou excessos.
- (D) Correta: Reconhecer a própria ignorância é um ato de humildade, pois a pessoa admite que não tem todas as respostas — essa é a base da sabedoria para Sócrates.
- (E) Incorreta: Justiça não aparece na citação nem é o foco da reflexão socrática sobre o saber; a frase é sobre a postura diante do conhecimento, não sobre agir corretamente com os outros.
Armadilha da banca: A letra B (bondade) é o distrator mais tentador, porque o texto 2 menciona explicitamente que os sábios são "preocupados em fazer uso da bondade". O aluno que lê só o parágrafo anterior e não presta atenção na citação final marca B. Mas a citação de Sócrates é específica: ela liga sabedoria à consciência da própria limitação, não a um valor moral como bondade. A banca testa se você lê a frase final isoladamente, sem se contaminar pelo contexto anterior.
Fonte: FGV TJSC 2018 Conhecimentos Comuns (Superior (Raciocínio Lógico)) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.