Questão nº 11

Questão de Língua Portuguesa · FGV TJAL 2018 (nº 11)

FGV2018Técnico Judiciário - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

TEXTO - Ressentimento e Covardia

Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita.

No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-história.

Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório.

Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade.

(Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado)


A crítica central do texto de Carlos Heitor Cony se dirige:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A ideia central de um texto é a mensagem principal que o autor deseja transmitir, o ponto mais importante e abrangente que organiza todas as informações e argumentos apresentados.

(A) Incorreta: O plágio é citado como um dos tipos de abuso que ocorrem na internet devido à falta de legislação, mas não é a crítica central em si.
(B) Correta: O texto inicia afirmando que a internet "se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos". Ao longo dos parágrafos, o autor compara a internet com outros meios (jornal/revista) onde há leis para punir injúrias, difamações, calúnias e violação de direitos autorais, concluindo que "Nada disso, por ora, acontece na internet", o que reforça a crítica à ausência de um arcabouço legal.
(C) Incorreta: As ofensas (injúrias, calúnias, difamações) são exemplos de abusos que ocorrem, e a menção a "ressentidos e covardes" pode sugerir anonimato. No entanto, a crítica central não é o anonimato em si, mas a ausência de leis que permitam punir esses atos, independentemente de serem anônimos ou não. Esta é uma armadilha, pois foca em uma consequência ou manifestação do problema, e não na sua causa principal apontada pelo autor.
(D) Incorreta: A perda de direitos autorais (e a violação deles) é mencionada como um dos abusos que a falta de legislação permite, mas não é a crítica central. É um exemplo do problema maior.
(E) Incorreta: O anonimato pode ser um fator que facilita os abusos ("covardes"), mas o autor enfatiza que o problema fundamental é a inexistência de uma legislação que possa coibir esses atos, mesmo que fossem identificáveis. A "lei do cão" é uma consequência da falta de lei, não apenas do anonimato.

Fonte: FGV TJAL 2018 Técnico Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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