Questão nº 15

Questão de Língua Portuguesa · FGV TJAL 2018 (nº 15)

FGV2018Analista Judiciário - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

TEXTO – Sem tolerância com o preconceito

Átila Alexandre Nunes, O Globo, 23/01/2018 (adaptado)

Diante do número de casos de preconceito explícito e agressões, somos levados ao questionamento se nossa sociedade corre o risco de estar tornando-se irracionalmente intolerante. Ou, quem sabe, intolerantemente irracional. Intolerância é a palavra do momento. Da religião à orientação sexual, da cor da pele às convicções políticas.

O tamanho desse problema rompeu fronteiras e torna-se uma praga mundial. Líderes políticos, em conluio com líderes religiosos, ignoram os conceitos de moral, ética, direitos, deveres e justiça. As redes sociais assumiram um papel cruel nesse sistema. Se deveriam servir para mostrar indignação, mostram, muitas vezes, um preconceito medieval.

No campo da religiosidade, o fanatismo se mostra cada dia mais presente no Rio de Janeiro. No último ano, foram registradas dezenas de casos de intolerância religiosa por meio da Secretaria de Estado de Direitos Humanos. Um número ainda subnotificado, pois, muitas ocorrências que deveriam ser registradas como “intolerância religiosa” são consideradas brigas de vizinhos.

A subnotificação desses casos é um dos maiores entraves na luta contra a intolerância religiosa. O registro incorreto e a descrença de grande parte da população na punição a esse tipo de crime colaboram para maquiar o retrato dos ataques promovidos pelo fanatismo religioso em nossa sociedade. A perseguição às minorias religiosas está cada vez mais organizada com braços políticos e até de milícias armadas como o tráfico de drogas.

No último ano recebemos denúncias de ataques contra religiões de matriz africana praticados pelo tráfico de drogas, que não só destruíam terreiros, como também proibiam a realização de cultos em determinada região, segundo o desejo do chefe da facção local.

Não podemos regredir a um estado confessional. A luta de agora pela liberdade religiosa é um dever de todos para garantir o cumprimento da Constituição Federal. Quando uma pessoa de fé é humilhada, agredida ou discriminada devido à sua crença, ela tem seus direitos humanos e constitucionais violados. Hoje, fala-se muito sobre intolerância religiosa, mas, muito mais do que sermos tolerantes, precisamos aprender a respeitar a individualidade e as crenças de cada um.

Até porque, nessa toada, a intolerância irracional ganha terreno, e nós vamos ficando cada vez mais irracionalmente intolerantes com aquilo que não deveríamos ser. Numa sociedade onde o preconceito se mostra cada dia mais presente, a única saída é a incorporação da cultura do respeito. Preconceito não se tolera, se combate.


“Até porque, nessa toada, a intolerância irracional ganha terreno, e nós vamos ficando cada vez mais irracionalmente intolerantes com aquilo que não deveríamos ser”.
A forma verbal “deveríamos ser” forma uma locução verbal como os vocábulos abaixo:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Locução verbal é a união de dois verbos: um verbo auxiliar (conjugado) + um verbo principal (numa forma nominal: infinitivo, gerúndio ou particípio). Juntos, eles funcionam como um só verbo. Em "deveríamos ser", o auxiliar é "deveríamos" e o principal é "ser" (infinitivo). A pegadinha é que a banca testa se você reconhece a estrutura, não o sentido: qualquer verbo auxiliar + "ser" no infinitivo forma locução, mas só uma opção mantém exatamente o mesmo tipo de construção (auxiliar + infinitivo) sem introduzir outro verbo no meio.

  • (A) Correta: "queremos ser" é locução verbal idêntica em estrutura: auxiliar "queremos" + infinitivo "ser". É o gabarito porque repete o mesmo padrão morfológico (verbo conjugado + infinitivo) e o mesmo verbo principal.
  • (B) Incorreta: "mandamos ser" também é locução (auxiliar "mandamos" + infinitivo "ser"), mas a banca a considera errada porque "mandar" exige um sujeito que execute a ação de "ser" (mandamos alguém ser), o que altera a relação semântica entre os verbos, diferente de "deveríamos ser", onde o sujeito é o mesmo.
  • (C) Incorreta: "deixemos ser" é locução, mas o verbo "deixar" no subjuntivo ("deixemos") muda o modo verbal, enquanto "deveríamos" está no futuro do pretérito do indicativo. A banca exige equivalência de tempo/modo, não só de forma.
  • (D) Incorreta: "vimos ser" é a armadilha clássica: "vimos" pode ser presente do indicativo de "ver" (nós vemos) ou pretérito de "vir" (nós viemos). Se for "ver", não forma locução com "ser" (vimos algo ser), e se for "vir", também não (viemos para ser). A banca testa se você confunde "vimos" com "vamos" (que seria auxiliar de futuro).
  • (E) Incorreta: "ouvimos ser" tem o mesmo problema de (B) e (D): "ouvir" é um verbo de percepção que exige um objeto (ouvimos alguém ser), não formando locução com o mesmo sujeito de "deveríamos ser".

Fonte: FGV TJAL 2018 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho