Questão nº 54
Questão de Antropologia · FGV TJ-MS 2024 (nº 54)
Em um dos capitulos do livro intitulado “A perícia antropológica em processos judiciais”, a antropóloga Maria Hilda Paraiso afirma que, nos laudos sobre a identidade de populações remanescentes:
“[a]s questões chave centram-se na comprovação da ‘ascendência’ indígena dos cutias remanescentes e na posse imemorial da terra, ou seja, a apresentação de provas históricas da presença continuada do grupo indígena na área que pleiteam.”
Para o antropólogo perito, a longa permanência de um grupo em um determinado território é evidenciada por:
- Aespaços cemiteriais; (alternativa correta)
- Brelatos etnográficos;
- Centrevistas em profundidade;
- Dhistória oral;
- Ehistória de vida.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A perícia antropológica em processos judiciais busca comprovar a conexão histórica e cultural de um grupo com um território, especialmente para populações tradicionais, evidenciando sua longa permanência e posse imemorial da terra.
- (A) Correta: Espaços cemiteriais (cemitérios ou locais de sepultamento) são evidências físicas e arqueológicas da presença ancestral e contínua de um grupo em um local, demonstrando ocupação de longa data e laços profundos e geracionais com a terra, sendo provas materiais irrefutáveis de permanência.
- (B) Incorreta: Relatos etnográficos descrevem a cultura e organização social de um grupo em um determinado período, mas não são, por si só, provas diretas e físicas da permanência imemorial em um território específico ao longo de gerações.
- (C) Incorreta: Entrevistas em profundidade coletam informações subjetivas e contemporâneas, úteis para entender a perspectiva atual do grupo, mas não são a principal forma de comprovar uma ocupação histórica e ancestral do território em termos de evidência material.
- (D) Incorreta: A história oral é fundamental para a memória e identidade do grupo e sua relação com o território, mas, em um contexto judicial para provar posse imemorial, precisa ser corroborada por outras evidências materiais. A armadilha aqui é que, embora a história oral seja crucial para a narrativa do grupo, ela é uma prova testemunhal e de memória, enquanto a questão busca a evidência mais forte da longa permanência física no território, que é material.
- (E) Incorreta: A história de vida foca na trajetória individual de um membro do grupo, sendo menos abrangente e direta para evidenciar a ocupação coletiva e ancestral de um território por um grupo ao longo de gerações.
Fonte: FGV TJ-MS 2024 Técnico de Nível Superior - Antropólogo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.