Questão nº 38
Questão de Antropologia · FGV TJ-MS 2024 (nº 38)
Em um dos seus artigos, o antropólogo José Reginaldo Gonçalves discute os chamados “bens inalienáveis”. Diz ele:
“Os interesses mobilizados pela possibilidade de comprar e vender livremente determinados bens eram vistos como um meio nefasto de descaracterização desses bens e de perda de sua autenticidade. A busca da autenticidade confundia-se, de certo modo, com uma constante e obsessiva proteção contra os efeitos de mercado.”
Essa reflexão ajuda a problematizar a oposição entre as seguintes arenas de valoração:
- Amercadorias e objetos sagrados;
- Bpatrimônio e mercado; (alternativa correta)
- Creligião e laicidade;
- Dpatrimônio e religião;
- Erituais e mercado.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Bens inalienáveis são aqueles que, por sua natureza, valor simbólico, histórico ou cultural, não devem ser comprados, vendidos ou trocados livremente como mercadorias comuns, pois sua autenticidade e significado seriam perdidos nesse processo.
(A) Incorreta: Embora objetos sagrados sejam frequentemente bens inalienáveis, a reflexão de Gonçalves é mais ampla, tratando da oposição entre a lógica do mercado e a preservação da autenticidade de "determinados bens" em geral, não se restringindo apenas ao sagrado. Essa é a armadilha, pois o sagrado é um exemplo forte de inalienável, mas não o único foco da problematização.
(B) Correta: A citação discute a tensão entre a lógica de "comprar e vender livremente" (mercado) e a necessidade de proteger a "autenticidade" e o caráter de "bens inalienáveis" (patrimônio cultural), que resistem à mercantilização. O contexto da questão ("Patrimônio e Mercado") reforça essa oposição central.
(C) Incorreta: A reflexão não aborda a relação entre fé e Estado ou a neutralidade religiosa.
(D) Incorreta: A oposição discutida não é entre patrimônio e religião, mas sim entre o valor intrínseco de certos bens (muitas vezes patrimoniais) e a lógica de mercado.
(E) Incorreta: A discussão foca na "compra e venda" de "bens" e na perda de "autenticidade" por efeitos de mercado, não diretamente na relação entre rituais e mercado.
Fonte: FGV TJ-MS 2024 Técnico de Nível Superior - Antropólogo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.