Questão nº 60
Questão de Conhecimentos Específicos · FGV TJ-MS 2022 (nº 60)
FGV2022Analista Judiciário - Área FimConhecimentos Específicos
Gabarito: Dver comentário ↓
Sobre prisão, é correto afirmar que:
- Aa prisão preventiva só pode ser decretada no curso da ação penal;
- Ba prisão temporária pode ser deferida para averiguações ou quando o representado não possuir residência fixa;
- Ca prisão preventiva pode ser requerida pelos Ministério Público, pelo querelante, pelo assistente de acusação e pela autoridade policial;
- Da contemporaneidade para decretação da prisão preventiva não é atrelada ao suposto cometimento da prática delitiva, mas aos motivos ensejadores da prisão; (alternativa correta)
- Ea prisão domiciliar é uma modalidade autônoma de medida cautelar pessoal, cujas hipóteses de cabimento, inspiradas em razões humanitárias, estão no rol taxativo do artigo 318 do Código de Processo Penal.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A prisão preventiva é uma medida cautelar de natureza pessoal, ou seja, uma forma de privação de liberdade imposta por um juiz antes da condenação definitiva, para garantir o bom andamento do processo criminal ou proteger a sociedade.
- (A) Incorreta: A prisão preventiva pode ser decretada tanto durante o inquérito policial (fase de investigação) quanto no curso da ação penal (fase processual), conforme o artigo 311 do Código de Processo Penal (CPP).
- (B) Incorreta: A prisão temporária possui requisitos específicos previstos na Lei 7.960/89, e "averiguações" não é um fundamento legal para sua decretação. A falta de residência fixa é um dos fundamentos para a prisão preventiva (art. 312 do CPP), não para a temporária.
- (C) Incorreta: A prisão preventiva pode ser requerida pelo Ministério Público, pelo querelante e pela autoridade policial. O assistente de acusação não tem legitimidade para requerer a prisão preventiva. O juiz também pode decretá-la de ofício, mas apenas no curso da ação penal (após o Pacote Anticrime).
- (D) Correta: A contemporaneidade na prisão preventiva significa que os motivos que a justificam (o "periculum libertatis", ou seja, o perigo que a liberdade do acusado representa) devem ser atuais e persistentes no momento da decretação e manutenção da prisão, e não meramente a data do cometimento do crime. Se os motivos (como risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal) deixam de existir, a prisão deve ser revogada.
- (E) Incorreta: A prisão domiciliar não é uma medida cautelar autônoma, mas sim uma substituição da prisão preventiva (ou de outras prisões), aplicada quando as condições humanitárias do artigo 318 do CPP estão presentes, permitindo que a prisão seja cumprida em casa em vez de em estabelecimento prisional.
Fonte: FGV TJ-MS 2022 Analista Judiciário - Área Fim (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.