Questão nº 20
Questão de Língua Portuguesa · FGV PSS TJ-BA 2023 (nº 20)
Texto 1 – Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]
Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios
Agência Fapesp
Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.
Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.
Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.
"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology. [...]
A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.
"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]
"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.
MUDANÇAS GENÉTICAS
No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas.
"São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.
Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.
O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.
"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos" (Texto 1, 7º parágrafo)
A única reescritura da passagem acima que NÃO produz mudança substancial de significado nem desvio em relação à norma padrão é:
- AIsso reafirma a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para que assim cheguemos à soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral só ocorre depois que se manifesta os sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos.
- BIsso confirma a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, sendo que chegaremos dessa maneira, a soluções terapêuticas. Afinal, trata-se de doenças, que durante décadas antes do diagnóstico podem estar ativas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos.
- CIsso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para que, assim, cheguemos a soluções terapêuticas. Afinal, trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico – que, em geral, se dá só após a manifestação de sintomas – mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos. (alternativa correta)
- DIsso corrobora a importância de que se desenvolva formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, à medida que cheguemos a soluções terapêuticas. Pois tratam-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos.
- EIsso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, afim de que assim cheguemos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças, que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que se dá em geral, só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito de reescritura e adequação gramatical envolve reformular uma frase ou texto, mantendo seu sentido original e garantindo que todas as regras da norma padrão da língua portuguesa sejam respeitadas. Isso inclui concordância, regência, pontuação, ortografia e escolha de vocabulário adequado.
A) Incorreta: Apresenta erro de crase em "à soluções" (deveria ser "a soluções", pois "soluções" é plural e não há artigo definido "as" antes dele) e erro de concordância verbal em "se manifesta os sintomas" (o correto seria "se manifestam os sintomas", concordando com "sintomas").
B) Incorreta: Contém um erro de pontuação, pois a vírgula após "doenças" é indevida, já que a oração "que durante décadas antes do diagnóstico podem estar ativas" é uma oração subordinada adjetiva restritiva, que não deve ser separada por vírgula do termo que modifica.
(C) Correta: Esta alternativa mantém o sentido original do texto e está totalmente de acordo com a norma padrão da língua portuguesa. A substituição de "Pois" por "Afinal" é adequada, a pontuação com travessões para isolar a oração explicativa é gramaticalmente correta e estilisticamente válida, e não há erros de concordância, regência ou crase.
D) Incorreta: Apresenta erro de concordância verbal em "de que se desenvolva formas" (o correto seria "de que se desenvolvam formas", concordando com "formas"). Além disso, "à medida que" (simultaneidade/proporcionalidade) altera o sentido de "para assim" (finalidade) do original, configurando mudança de sentido. Há também um erro de regência verbal em "tratam-se de doenças", pois o verbo "tratar" no sentido de "ser" ou "consistir" é impessoal e deve permanecer no singular: "trata-se de doenças".
E) Incorreta: Contém um erro de grafia em "afim de que" (o correto para indicar finalidade é "a fim de que", separado). Além disso, há um erro de pontuação com a vírgula após "doenças", que é indevida por se tratar de uma oração subordinada adjetiva restritiva, e a vírgula após "em geral" é desnecessária e prejudica a fluidez.
Fonte: FGV PSS TJ-BA 2023 Juiz Leigo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.