Questão nº 8
Questão de Língua Portuguesa · FGV PSS TJ-BA 2023 (nº 8)
Texto 1 – Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]
Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios
Agência Fapesp
Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.
Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.
Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.
"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology. [...]
A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.
"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]
"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.
MUDANÇAS GENÉTICAS
No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas.
"São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.
Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.
O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.
“Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia”
Nessa passagem, o emprego da palavra “chamada” sinaliza que o termo subsequente:
- Adeve ser interpretado ironicamente;
- Bintegra um jargão especializado; (alternativa correta)
- Cassume valor conotativo;
- Dtem origem estrangeira;
- Esofreu adaptações ortográficas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A palavra "chamada" (ou "o chamado", "a chamada") é frequentemente usada para introduzir um termo que possui uma designação específica ou um nome particular dentro de um determinado contexto, especialmente quando esse termo é técnico ou faz parte de um vocabulário especializado. Ela serve para sinalizar ao leitor que o que vem a seguir é uma nomenclatura própria de uma área.
(A) Incorreta: O uso de "chamada" aqui não tem a intenção de expressar ironia, que é uma figura de linguagem onde se diz o oposto do que se quer significar. A frase é informativa e objetiva.
(B) Correta: A expressão "a chamada glia" indica que "glia" é o nome ou a designação específica para o "conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios" no contexto da biologia e neurociência. Isso caracteriza um jargão especializado, ou seja, um vocabulário técnico de uma área do conhecimento.
(C) Incorreta: Valor conotativo refere-se ao sentido figurado ou associativo de uma palavra. "Glia" é usada em seu sentido denotativo (literal e técnico) no texto, e "chamada" não adiciona uma camada de sentido figurado.
(D) Incorreta: Embora muitos termos científicos tenham origem estrangeira (como "glia", que vem do grego), a palavra "chamada" não é um marcador direto de origem estrangeira do termo subsequente, mas sim de sua condição de nome ou designação específica.
(E) Incorreta: Adaptações ortográficas referem-se a mudanças na grafia de uma palavra. Não há indicação de que "glia" tenha sofrido adaptações ortográficas recentes ou que "chamada" sinalize isso.
Fonte: FGV PSS TJ-BA 2023 Juiz Leigo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.