Questão nº 53

Questão de Conhecimentos Específicos de Fiscal de Serviços Municipais · FGV PMS 2019 (nº 53)

FGV2019Fiscal de Serviços MunicipaisConhecimentos Específicos de Fiscal de Serviços Municipais
Gabarito: Dver comentário ↓

Sílvio adquiriu um lote em loteamento urbano. Para tanto realizou contrato de compra e venda com a sociedade empresária XXY, responsável por este empreendimento.
Sobre este contrato, na forma da Lei Federal de Parcelamento do Solo Urbano, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O conceito-chave aqui é que a Lei Federal de Parcelamento do Solo Urbano (Lei 6.766/79) criou um microssistema de proteção ao adquirente de lote, mas excluiu expressamente os contratos com alienação fiduciária (quando o imóvel fica como garantia ao banco/construtora até você pagar tudo) das regras de restituição de valores em caso de resolução contratual por culpa do comprador. Isso porque, na alienação fiduciária, a lógica é outra: o bem é retomado e leiloado, e a restituição segue regras próprias do Decreto-Lei 911/69, não as regras gerais da lei de parcelamento.

  • (A) Incorreta: A ausência de cláusula sobre corretagem (valor, condições e beneficiário) não gera nulidade absoluta do contrato; a lei prevê que, nesse caso, a corretagem é devida apenas se houver negócio fechado e paga pelo vendedor, mas o contrato permanece válido.
  • (B) Incorreta: O adquirente inadimplente só tem direito à indenização por benfeitorias necessárias (essenciais para conservar o imóvel) e úteis (que aumentam a utilidade) se elas forem autorizadas por escrito pelo loteador; se feitas em desconformidade com o contrato, não há direito à indenização.
  • (C) Incorreta: A restituição de valores ao adquirente, em caso de resolução por fato a ele imputado, deve ser feita em, no máximo, 12 parcelas mensais, e não em mais do que isso (a lei limita o prazo para devolver o que foi pago, descontando a cláusula penal).
  • (D) Correta: Exatamente: a lei de parcelamento do solo não se aplica às regras de restituição de valores quando o contrato é feito sob alienação fiduciária, pois essa modalidade tem legislação própria e específica (Decreto-Lei 911/69), que prevê a consolidação da propriedade em favor do credor.
  • (E) Incorreta: Após a constituição em mora, se o devedor purgar a mora (pagar o que deve, com juros e correção), o contrato convalesce (volta a valer normalmente), desde que isso ocorra antes da consolidação da propriedade ou da execução; a lei permite essa "cura" do inadimplemento.

Fonte: FGV PMS 2019 Fiscal de Serviços Municipais (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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