Questão nº 51
Questão de Conhecimentos Específicos de Fiscal de Serviços Municipais · FGV PMS 2019 (nº 51)
Hélio, empresário bem-sucedido, solteiro, sem filhos, tem um grande patrimônio. Desde 2011, apresenta o hábito de ingerir excessivas quantidades de álcool. No começo de 2018 esta rotina se intensificou e Hélio começou a beber durante os sete dias da semana, não mais administrando as suas atividades comerciais ou vida afetiva.
Sobre a situação de Hélio, segundo o Código Civil, assinale a afirmativa correta.
- AÉ absolutamente capaz para prática de todos os atos da vida civil.
- BÉ absolutamente incapaz para prática de atos da vida civil.
- CÉ relativamente incapaz em razão da prodigalidade.
- DÉ relativamente incapaz por ser ébrio habitual. (alternativa correta)
- EEstende-se, ao menos quanto aos atos civis que digam respeito ao seu patrimônio, a relativa incapacidade de exprimir sua vontade por causa transitória.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conceito-chave: A capacidade civil é a regra para todos, mas a lei lista situações em que a pessoa não pode exercer pessoalmente seus atos. O ébrio habitual (quem bebe de forma contínua e perde o controle sobre a própria vida e patrimônio) é considerado relativamente incapaz, ou seja, pode praticar atos, mas precisa de um representante ou assistente para os negócios jurídicos.
- (A) Incorreta: Hélio não é absolutamente capaz, pois o alcoolismo crônico e a desestruturação da vida comercial e afetiva demonstram que ele não tem pleno discernimento para todos os atos, o que afasta a capacidade plena.
- (B) Incorreta: Ele não é absolutamente incapaz (que exige, por exemplo, menor de 16 anos ou pessoa que não exprime vontade de nenhuma forma); o ébrio habitual se enquadra na relativa incapacidade, pois ainda tem alguma vontade, mas comprometida.
- (C) Incorreta: A prodigalidade é o desperdício compulsivo do patrimônio (ex.: gastar compulsivamente em jogos ou futilidades). O vício de Hélio é o álcool, não o ato de dissipar bens por impulso de gastar; a causa da ruína é a bebida.
- (D) Correta: O Código Civil classifica os ébrios habituais como relativamente incapazes para certos atos (ou na forma de os exercer). A rotina de Hélio (beber todos os dias, abandonar negócios e vida afetiva) se encaixa exatamente nesse conceito, pois a dependência química compromete sua capacidade de autogoverno.
- (E) Incorreta: A causa transitória (ex.: efeito de uma medicação ou embriaguez pontual) é diferente do hábito de beber. Hélio não tem uma incapacidade passageira, mas um quadro permanente e contínuo, o que o enquadra na hipótese específica do ébrio habitual, não na regra geral de causa transitória.
Armadilha da banca (no distrator E): A letra E parece correta porque menciona “incapacidade de exprimir vontade”, mas a banca troca o hábito (permanente) por causa transitória (momentânea). O examinador quer que você perceba que Hélio não é um caso de “bebeu uma vez e ficou sem condições”, mas sim de dependência crônica, que tem previsão legal própria e mais específica (ébrio habitual).
Fonte: FGV PMS 2019 Fiscal de Serviços Municipais (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.