Questão nº 13
Questão de Português · FGV PCERJ 2021 (nº 13)
Vejamos, agora, o que nos diz Machado de Assis sobre a autópsia:
“Li um termo de autópsia. Nunca deixo de ler esses documentos, não para aprender anatomia, mas para verificar ainda uma vez como a língua científica é diferente da literária. Nesta, a imaginação vai levando as palavras belas e brilhantes, faz imagens sobre imagens, adjetiva tudo, usa e abusa de reticências, se o autor gosta delas. Naquela, tudo é seco, exato e preciso. O hábito externo é externo, o interno é interno; cada fenômeno, cada osso, é designado por um vocábulo único. A cavidade torácica, a cavidade abdominal, a hipóstase cadavérica, a tetania, cada um desses lugares e fenômenos não pode receber duas apelações, sob pena de não ser ciência.” (Adaptado. A Semana, 1830)
No texto 1, observemos os seguintes exemplos: “termo de autópsia” e “abusa de reticências”. Nos dois segmentos há o emprego da preposição DE, sendo que só no segundo caso ela é obrigatória, já que é exigida pelo verbo anterior.
A frase abaixo em que a preposição DE tem uso obrigatório é:
- AOs cemitérios estão cheios de gente insubstituível; (alternativa correta)
- BA paciência é a mais heroica de todas as virtudes;
- CA paciência é de gosto amargo, mas seu fruto é doce;
- DA inteligência é uma espécie de paladar;
- EOs livros são de grande utilidade.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A regência de uma palavra (verbo, substantivo ou adjetivo) determina se ela exige ou não uma preposição específica para completar seu sentido. A preposição "de" é obrigatória quando a palavra anterior a ela não pode ser usada sem "de" ou sem que o sentido original seja alterado drasticamente, e não há outra preposição ou construção simples que a substitua.
- (A) Correta: O adjetivo "cheio" exige a preposição "de" para indicar o que está cheio. Não se pode dizer "cheio gente" nem usar outra preposição com o mesmo sentido e correção gramatical.
- (B) Incorreta: A preposição "de" pode ser substituída por "entre" ("a mais heroica entre todas as virtudes") ou pela contração "das" ("a mais heroica das virtudes"), sem perda de sentido.
- (C) Incorreta: A construção "é de gosto amargo" pode ser substituída por "tem gosto amargo", o que mostra que o uso de "de" não é obrigatório para expressar essa característica.
- (D) Incorreta: Embora "espécie de" seja uma locução muito comum para indicar tipo, o uso de "de" não é considerado estritamente obrigatório no mesmo nível de uma regência verbal ou adjetiva, pois a frase pode ser reestruturada (ex: "uma espécie que é paladar") ou, seguindo a lógica do exemplo "termo de autópsia" do enunciado (onde "de" não é obrigatório para especificar o tipo), o "de" aqui não é visto como uma exigência incondicional da palavra "espécie" em si.
- (E) Incorreta: A construção "são de grande utilidade" pode ser substituída por "têm grande utilidade", indicando que o "de" não é obrigatório para expressar a utilidade.
Fonte: FGV PCERJ 2021 Técnico Policial de Necropsia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.