Questão nº 12
Questão de Português · FGV PCERJ 2021 (nº 12)
Em todas as frases abaixo há uma substituição de termos pelo relativo cujo, a, os, as; a frase em que essa substituição foi feita de forma adequada é:
- AAquela cidade, da qual vemos as igrejas, é Barbacena / Aquela cidade, cuja visão temos das igrejas, é Barbacena;
- BEsse senhor, do qual conheces a filha, é meu tio / Esse senhor, cujo conhecimento tens da filha, é meu tio;
- CPicasso, parte dos quadros dele são exibidos em Barcelona, morreu em 1973 / Picasso, cuja exibição de parte dos quadros é feita em Barcelona, morreu em 1973; (alternativa correta)
- DOs livros, dos quais as páginas foram copiadas, são os mais caros da coleção / Os livros, de cujas páginas foram copiadas, são os mais caros da coleção;
- EAs goiabeiras, das quais saem os frutos mais doces do pomar, são de origem asiática / As goiabeiras, de cujo pomar saem os frutos mais doces, são de origem asiática.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O pronome relativo cujo (e suas variações: cuja, cujos, cujas) é usado para expressar posse ou pertencimento. Ele substitui um termo possessivo (como "dele", "dela", "do substantivo") e concorda em gênero e número com o substantivo que o sucede, nunca com o antecedente. Além disso, cujo nunca é precedido ou seguido de artigo. A preposição, se exigida, vem antes de "cujo".
- (A) Incorreta: A substituição altera o sentido. A frase original fala das igrejas que pertencem à cidade ("igrejas da cidade"). A proposta "cuja visão temos das igrejas" significa "a visão da cidade que temos das igrejas", mudando a relação de posse. O correto seria "Aquela cidade, cujas igrejas vemos, é Barbacena".
- (B) Incorreta: A substituição altera o sentido. A frase original fala da filha que pertence ao senhor ("a filha do senhor"). A proposta "cujo conhecimento tens da filha" significa "o conhecimento do senhor que tens da filha", o que não faz sentido. O correto seria "Esse senhor, cuja filha conheces, é meu tio".
- (C) Correta: A frase original usa o pronome possessivo "dele" ("parte dos quadros dele"). A substituição por "cuja exibição de parte dos quadros" mantém a ideia de posse ("a exibição de parte dos quadros de Picasso"). O pronome "cuja" retoma "Picasso" e concorda em gênero e número com o substantivo que o sucede, "exibição" (feminino singular). A preposição "de" em "de parte dos quadros" não está regendo "cuja", mas sim fazendo parte da locução.
- (D) Incorreta: Embora a construção "de cujas páginas" seja gramaticalmente correta para expressar "as páginas dos livros", a frase original já utiliza um pronome relativo de posse ("dos quais"). A questão pede a substituição de termos pelo relativo "cujo", e a intenção é geralmente substituir um termo possessivo (como "dele", "dela" ou "do substantivo") por "cujo". A substituição de um pronome relativo por outro, mesmo que de tipo diferente, pode ser considerada inadequada pela banca neste contexto. Armadilha da banca: Esta alternativa é um forte distrator porque a construção com "de cujas" é gramaticalmente perfeita e expressa a posse corretamente ("as páginas dos livros"). No entanto, a banca pode ter considerado que a frase original já resolvia a posse com um pronome relativo ("dos quais"), e a questão visava a substituição de um termo não relativo de posse (como o "dele" na alternativa C) por "cujo".
- (E) Incorreta: A substituição altera o sentido. A frase original fala dos frutos que saem das goiabeiras. A proposta "de cujo pomar saem os frutos" significa "os frutos saem do pomar das goiabeiras", o que muda a relação de posse e o local de origem dos frutos. Não é o pomar que pertence às goiabeiras para que se use "cujo pomar" nesse contexto.
Fonte: FGV PCERJ 2021 Inspetor de Polícia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.