Questão nº 89
Questão de Noções de Direito Administrativo · FGV PC-RN 2021 (nº 89)
A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, é exercida, mediante controle externo, por excelência:
- Apelo Poder Judiciário, ao qual compete analisar de ofício a constitucionalidade e a legalidade na aplicação de quaisquer recursos repassados pelo Estado à Polícia Civil;
- Bpela Controladoria Geral do Estado, à qual compete fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pelo Estado à Polícia Civil e aplicar as correlatas sanções administrativas e civis;
- Cpela Procuradoria Geral do Estado, com auxílio da Corregedoria, à qual compete apreciar a legalidade das concessões de aposentadorias, reformas e pensões de policiais civis como escrivães e agentes;
- Dpelo Ministério Público Estadual, ao qual compete aplicar diretamente aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, como multa proporcional ao dano causado ao erário;
- Epela Assembleia Legislativa, com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado, ao qual compete, por exemplo, apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de policiais civis como escrivães e agentes. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O controle externo da administração pública é a fiscalização realizada por um Poder diferente daquele que está sendo fiscalizado, garantindo transparência e responsabilidade no uso dos recursos públicos. No Brasil, esse controle é exercido principalmente pelo Poder Legislativo, com o auxílio dos Tribunais de Contas.
- (A) Incorreta: O Poder Judiciário não é o principal órgão de controle externo para a fiscalização contábil, financeira e orçamentária da administração pública, nem analisa de ofício a constitucionalidade e legalidade de recursos repassados de forma rotineira e abrangente como o Tribunal de Contas. Sua atuação é provocada e focada na legalidade e constitucionalidade de atos específicos.
- (B) Incorreta: A Controladoria Geral do Estado (CGE) exerce o controle interno da administração, ou seja, fiscaliza as atividades dentro do próprio Poder Executivo. Embora fiscalize a aplicação de recursos, não se enquadra como "controle externo por excelência" para a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da forma descrita.
- (C) Incorreta: A Procuradoria Geral do Estado (PGE) é o órgão que representa judicial e extrajudicialmente o Estado, prestando consultoria jurídica. A Corregedoria atua no controle disciplinar interno. Nenhum dos dois é o órgão de controle externo por excelência para a fiscalização financeira e orçamentária. A apreciação de aposentadorias e pensões é uma competência do Tribunal de Contas, não da PGE.
- (D) Incorreta: O Ministério Público Estadual (MPE) atua na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, podendo investigar e propor ações judiciais contra ilegalidades e danos ao erário. Contudo, não é o órgão que, "por excelência", realiza a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da administração pública e aplica diretamente sanções por irregularidade de contas como o Tribunal de Contas. Sua atuação é mais de fiscal da lei e propositor de ações, não de julgador primário das contas. Armadilha da banca: Esta alternativa é tentadora porque o Ministério Público, de fato, combate ilegalidades e busca a reparação de danos ao erário. No entanto, a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, com o julgamento das contas e a aplicação de sanções específicas por irregularidade de contas (como multas proporcionais ao dano), é a função precípua do Tribunal de Contas, atuando como auxiliar do Poder Legislativo no controle externo. O MPE não "aplica diretamente" essas sanções como um órgão de controle de contas.
- (E) Correta: A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades da administração pública é exercida pelo Poder Legislativo (neste caso, a Assembleia Legislativa), com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Essa é a definição constitucional do controle externo. O TCE, como órgão auxiliar, tem competências específicas, como apreciar as contas do Governador, fiscalizar a aplicação de recursos, e apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal (como policiais civis), aposentadorias, reformas e pensões.
Fonte: FGV PC-RN 2021 Agente e Escrivão de Polícia Civil Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.