Questão nº 22

Questão de Língua Portuguesa · FGV MPRJ 2019 (nº 22)

FGV2019Comum Nível Médio MPRJ 2019Língua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

O astrônomo que descobriu o cometa de Halley se chamava Halley. O médico que descobriu a doença de Chagas se chamava Chagas. O cientista que descobriu o complexo de Golgi se chamava Golgi. Puxa vida, são essas coincidências que me fazem acreditar em Deus. (Eugênio Mohallem)
Esse pensamento apresenta um problema de raciocínio que é o de:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave aqui é relação de causalidade: confundir coincidência (dois eventos que acontecem juntos por acaso) com causa e efeito (um evento produz o outro). No texto, o fato de o descobridor ter o mesmo nome da descoberta não é a causa da descoberta — é só uma coincidência posterior. A piada inverte a lógica: não foi o nome que causou a descoberta, mas a descoberta que tornou o nome famoso.

  • (A) Incorreta: Trocar o geral pelo particular seria pegar uma regra ampla e aplicar a um caso específico sem prova; aqui não há regra geral, só uma lista de coincidências.
  • (B) Incorreta: Inverter a ordem dos fatos seria dizer que o cometa veio antes de Halley ou que a doença existia antes de Chagas — mas isso é verdade e não é o problema do raciocínio.
  • (C) Correta: O raciocínio confunde causa e consequência: trata a coincidência de nomes como se fosse uma prova de causa divina, quando na verdade é só um acaso posterior à descoberta (a descoberta é a causa da fama do nome, não o contrário).
  • (D) Incorreta: Misturar condição e ação seria confundir "se... então" com "fazer algo"; não há condicional lógica no texto.
  • (E) Incorreta: As premissas são factualmente verdadeiras (Halley descobriu o cometa, Chagas a doença, Golgi o complexo) — o erro não está na falsidade delas, mas na conclusão ilógica que se tira delas.

Armadilha da banca: A letra B é a mais tentadora, porque parece que "o nome veio antes da descoberta" (Halley já se chamava Halley antes de achar o cometa). Mas a banca quer que você veja que o problema não é a ordem cronológica dos fatos, e sim a interpretação causal: o autor usa a coincidência como se fosse um efeito divino, quando é só um acaso. Não caia na pegadinha de achar que "inverter a ordem" é o mesmo que "confundir causa e consequência" — aqui, a ordem dos fatos está correta, mas a relação de causa está errada.

Fonte: FGV MPRJ 2019 Conhecimentos Comuns (Nível Médio MPRJ 2019) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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