Questão nº 76
Questão de Economia · FGV MPMS 2012 (nº 76)
FGV2012Analista - EconomiaEconomia
Gabarito: Bver comentário ↓
A desvalorização cambial, em janeiro de 1999, produziu diversos efeitos na economia brasileira. Em relação às medidas tomadas e/ou aos efeitos da desvalorização, assinale a afirmativa correta.
- AA relação dívida/PIB aumentou em virtude dos efeitos da desvalorização sobre a dívida interna – a qual estava indexada ao câmbio – e não devido à variação do PIB – que cresceu bastante em 1998.
- BA alta dos juros foi um dos fatores que serviu para reduzir a demanda por dólar a partir de março de 1999 e um recuo da cotação real/dólar. (alternativa correta)
- CO país estabeleceu um acordo com o FMI com metas para o superávit primário para o ano de 1999 não muito ambiciosas – em torno de 2% do PIB até dezembro do mesmo ano.
- DA inflação explodiu nos primeiros meses de 1999, o que fez com houvesse uma corrida bancária, o que foi reduzido pelo aumento dos juros.
- EO governo brasileiro não conseguiu convencer o FMI a utilizar o superávit primário como critério do acordo em substituição ao déficit nominal.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A Crise Cambial de 1999 ocorreu quando o Brasil abandonou a política de câmbio fixo e adotou o câmbio flutuante, levando a uma forte desvalorização do Real em relação ao Dólar. Isso significou que o Dólar ficou muito mais caro, impactando a economia.
- (A) Incorreta: A relação dívida/PIB aumentou, mas a desvalorização impactou principalmente a dívida externa (em dólar) e não a dívida interna como um todo. Além disso, o PIB de 1999 teve crescimento muito baixo (quase estagnação), contribuindo para o aumento da relação dívida/PIB, e não cresceu "bastante em 1998" no contexto da crise de 1999. A armadilha aqui é a imprecisão sobre qual dívida foi mais impactada e a performance do PIB no ano relevante.
- (B) Correta: Após a desvalorização, o Banco Central elevou drasticamente a taxa de juros (Selic), tornando mais atrativo manter investimentos em Reais. Isso ajudou a reduzir a saída de capitais (demanda por dólar) e a atrair investimentos, contribuindo para a estabilização e um leve recuo da cotação do dólar a partir de março de 1999.
- (C) Incorreta: O acordo com o FMI, assinado em 1998 e revisado em 1999, estabeleceu metas de superávit primário que eram ambiciosas e foram, inclusive, elevadas após a desvalorização (de 2,6% para 3,1% do PIB para 1999), e não "não muito ambiciosas" em torno de 2%.
- (D) Incorreta: Embora a desvalorização tenha gerado um choque inflacionário (o IPCA de 1999 foi de 8,9%), não houve uma "explosão" da inflação que gerasse uma corrida bancária generalizada. O sistema bancário brasileiro estava mais sólido devido a reformas anteriores.
- (E) Incorreta: O governo brasileiro, na verdade, conseguiu convencer o FMI a utilizar o superávit primário como principal critério fiscal do acordo, em substituição ao déficit nominal. Isso foi uma vitória importante para o Brasil, pois focava no esforço fiscal do governo sem considerar os juros da dívida.
Fonte: FGV MPMS 2012 Analista - Economia. Reproduzida para fins de estudo.