Questão nº 41

Questão de Direito · FGV MPMS 2012 (nº 41)

FGV2012Analista - DireitoDireito
Gabarito: Bver comentário ↓

João, policial militar do Estado "X", ao presenciar uma tentativa de assalto, realiza disparos de arma de fogo que impedem a ocorrência do crime e atingem um automóvel estacionado no local.
Considerando a situação acima descrita, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O Estado é responsável por danos causados por seus agentes (servidores públicos) a terceiros, mesmo que o agente tenha agido corretamente, pois a responsabilidade do Estado é objetiva (não precisa provar culpa do agente). No entanto, o Estado pode cobrar do agente (ação regressiva) se provar que ele agiu com culpa ou dolo.

  • (A) Incorreta: A necessidade de impedir o crime não afasta a responsabilidade objetiva do Estado pelos danos causados a terceiros inocentes. O Estado deve indenizar o proprietário do veículo.
  • (B) Correta: O Estado "X" responde objetivamente pelo dano causado ao automóvel (Art. 37, § 6º da CF/88). Após indenizar a vítima, o Estado poderá ajuizar ação regressiva contra João, mas para isso precisará comprovar que ele agiu com dolo (intenção) ou culpa (negligência, imprudência ou imperícia) em sentido amplo.
  • (C) Incorreta: A responsabilidade inicial perante a vítima é do Estado, de forma objetiva. Não há responsabilidade conjunta do Estado e do agente perante a vítima. A "falha na prestação do serviço" não é o fundamento primário da responsabilidade objetiva por atos de agentes.
  • (D) Incorreta: A vítima não pode acionar João diretamente, mas sim o Estado. A responsabilidade primária perante a vítima é do Estado, que é objetiva. A responsabilidade de João é subjetiva e apenas em ação regressiva do Estado. (Armadilha da banca: A banca tenta confundir a responsabilidade do agente com a responsabilidade do Estado. A Constituição Federal estabelece que a vítima deve acionar o Estado, e este, se comprovar dolo ou culpa do agente, pode acioná-lo em regresso.)
  • (E) Incorreta: O dano não decorre de fortuito externo. O disparo de arma de fogo pelo policial é uma ação direta do agente estatal, e o dano é uma consequência dessa ação, estabelecendo o nexo de causalidade. Fortuito externo seria um evento completamente alheio à atuação do Estado.

Fonte: FGV MPMS 2012 Analista - Direito. Reproduzida para fins de estudo.

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