Questão nº 43

Questão de Direito Constitucional · FGV DPGE-RJ 2014 (nº 43)

FGV2014Técnico Médio da DefensoriaDireito Constitucional
Gabarito: Bver comentário ↓

Cláudio, Vereador de um Município fluminense, cometeu ato de improbidade administrativa porque, durante todo o seu mandato, permitiu que sua namorada Carolina utilizasse veículo oficial da Câmara, abastecido com combustível pago com dinheiro público. O Ministério Público ajuizou corretamente a ação cabível por ato de improbidade, que foi julgada procedente com trânsito em julgado pelo Poder Judiciário. Sobre o caso em tela, é correto afirmar que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O foro por prerrogativa de função (ou foro especial) é a regra que determina que certas autoridades públicas sejam julgadas por um tribunal superior, e não por um juiz de primeira instância. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) firmou entendimento de que essa prerrogativa se aplica apenas a ações penais (crimes), e não a ações de improbidade administrativa, que são de natureza cível.

  • (A) Incorreta: O STF possui entendimento consolidado de que não há foro por prerrogativa de função para ações de improbidade administrativa, mesmo que previsto em Constituição Estadual. Portanto, a ação não seria proposta diretamente no Tribunal de Justiça por essa razão.
  • (B) Correta: O entendimento do STF é de que não se aplica o foro por prerrogativa de função em ações de improbidade administrativa, pois estas têm natureza cível, e não criminal, independentemente de previsão em Constituição Estadual.
  • (C) Incorreta: Carolina, mesmo não sendo funcionária pública, pode figurar no polo passivo da ação de improbidade como terceira beneficiária ou partícipe do ato, conforme a Lei de Improbidade Administrativa. A parte sobre o ressarcimento ao erário ser imprescritível está correta, mas a primeira afirmação invalida a alternativa.
  • (D) Incorreta: Embora as sanções listadas sejam de fato possíveis em casos de improbidade administrativa, a alternativa não aborda a questão central do caso, que é a competência jurisdicional e a aplicação do foro por prerrogativa de função, que é o foco da pergunta.
  • (E) Incorreta: A premissa de que Cláudio responderia perante o Tribunal de Justiça por ser Vereador em uma ação de improbidade está errada, conforme o entendimento do STF. Assim, não haveria desmembramento do processo por essa razão, e ambos responderiam em primeira instância.

Fonte: FGV DPGE-RJ 2014 Técnico Médio da Defensoria (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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