Questão nº 29

Questão de Direito Constitucional · FGV CMSP 2024 (nº 29)

FGV2024Procurador LegislativoDireito Constitucional
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O Município Alfa, após longo litígio estabelecido com a União, logrou êxito em obter provimento jurisdicional que lhe foi favorável, o qual veio a transitar em julgado. Em momento no qual a formação do respectivo precatório ainda se encontrava em curso, o Procurador-Geral do Município recebeu minuta de convênio a ser celebrado entre Alfa e a União, no qual este último ente inserira cláusula que lhe autorizava a abater os valores devidos por Alfa, em razão do ajuste, do montante correspondente aos precatórios federais existentes, nos quais esse Município figure como credor.
Ao analisar a minuta, o Procurador-Geral concluiu corretamente que esse documento

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

O conceito-chave aqui é a compensação de débitos envolvendo precatórios, que são ordens de pagamento emitidas pelo Judiciário para quitar dívidas de entes públicos (como a União, estados e municípios) reconhecidas por decisões judiciais definitivas. A Constituição Federal prevê uma regra específica que permite à União usar seus créditos (dinheiro que outros entes lhe devem) para abater o valor de precatórios que ela própria deve a esses entes.

  • (A) Correta: A Constituição da República, em seu Art. 100, § 9º, permite expressamente que a União utilize créditos que possui contra estados, Distrito Federal, municípios ou suas entidades da administração indireta para compensar débitos de precatórios devidos pela própria União a esses entes. Este mecanismo é uma prerrogativa constitucional da União.
  • (B) Incorreta: Embora a compensação possa impactar o fluxo de recursos do Município, a Constituição, ao prever tal mecanismo, estabelece um limite à autonomia financeira dos entes federados em relação à União, sem que isso configure um desacordo com a autonomia política em si, mas sim uma regra constitucional a ser observada.
  • (C) Incorreta: A compensação não afronta a coisa julgada. O precatório continua sendo o reconhecimento de uma dívida judicial transitada em julgado. A compensação é apenas uma forma de extinção da obrigação (pagamento indireto) prevista legalmente, não negando a existência da dívida ou a validade da decisão judicial. A armadilha aqui é confundir a forma de pagamento com a validade da decisão.
  • (D) Incorreta: A Constituição estabelece diferentes prerrogativas e responsabilidades para os entes federados, especialmente para a União como governo central. A previsão de um mecanismo de compensação específico para a União não configura afronta à isonomia, mas sim uma regra constitucional que reflete a organização federativa e as particularidades financeiras de cada ente.
  • (E) Incorreta: A alternativa está parcialmente correta ao afirmar a juridicidade e a previsão constitucional, mas erra ao estender o alcance do instrumento de compensação para "os Estados e seus entes da administração indireta" da mesma forma. O Art. 100, § 9º, concede essa prerrogativa de compensação de precatórios à União em relação aos seus créditos, não aos estados ou municípios em relação aos seus próprios precatórios ou créditos.

Fonte: FGV CMSP 2024 Procurador Legislativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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