Questão nº 33
Questão de Contabilidade Aplicada ao Setor Público · FGV CGE-SC 2022 (nº 33)
Em 30/06/X0, uma universidade pública recebeu, em uma transação sem contraprestação, os direitos autorais de um livro. Na data, o valor justo dos direitos autorais foi estimado em R$30.000.
Em 31/12/X0, a universidade estimou que os direitos autorais tinham valor realizável líquido de R$28.000, enquanto o valor em uso era estimado em R$32.000.
Assinale a opção que indica o valor contabilizado como direitos autorais em 31/12/X0 pela universidade:
- AZero.
- BR$27.000.
- CR$28.000.
- DR$30.000. (alternativa correta)
- ER$32.000.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Um ativo intangível é um bem sem forma física, como direitos autorais ou patentes. Quando uma entidade pública recebe um ativo intangível sem contraprestação (de graça), ela o registra inicialmente pelo seu valor justo (o preço de mercado). Depois, a cada período, ela verifica se o ativo perdeu valor através de um teste de recuperabilidade, comparando o valor contábil (o valor registrado) com o valor recuperável (o maior entre o valor em uso e o valor justo menos as despesas de venda).
- Reconhecimento inicial (30/06/X0): Os direitos autorais foram recebidos sem contraprestação. Portanto, são registrados pelo seu valor justo, que é R$30.000. Este é o valor contábil inicial.
- Teste de recuperabilidade (31/12/X0):
- Valor contábil antes do teste: R$30.000 (assumindo que não houve amortização ou que a vida útil é indefinida, ou que o valor inicial é o ponto de partida para o teste).
- Valor realizável líquido (valor justo menos despesas de venda): R$28.000.
- Valor em uso: R$32.000.
- O valor recuperável é o maior entre o valor realizável líquido e o valor em uso. Neste caso, é o maior entre R$28.000 e R$32.000, ou seja, R$32.000.
- Comparação: O valor contábil (R$30.000) é menor que o valor recuperável (R$32.000).
- Conclusão: Como o valor contábil não excede o valor recuperável, não há perda por desvalorização (impairment). O ativo continua a ser contabilizado pelo seu valor contábil original.
Alternativas:
- (A) Incorreta: O ativo foi recebido e reconhecido inicialmente por R$30.000.
- (B) Incorreta: Não há base para este valor nos dados fornecidos.
- (C) Incorreta: R$28.000 é o valor realizável líquido, que é apenas um dos componentes para calcular o valor recuperável, mas não é o valor final do ativo, pois o valor em uso era maior. Armadilha da banca: Esta alternativa tenta confundir o aluno, levando-o a escolher um dos componentes do valor recuperável, ou a considerar que o ativo deve ser reduzido ao menor valor entre os dados fornecidos, o que é incorreto.
- (D) Correta: O valor inicial de reconhecimento foi R$30.000. Como o valor contábil (R$30.000) é menor que o valor recuperável (R$32.000), não há necessidade de registrar perda por desvalorização, e o ativo permanece contabilizado pelo seu valor original.
- (E) Incorreta: R$32.000 é o valor recuperável. No entanto, se não há perda por desvalorização, o ativo não é reavaliado para cima até o valor recuperável, a menos que haja reversão de uma perda anterior, o que não é o caso aqui. O ativo é mantido pelo seu valor contábil original.
Fonte: FGV CGE-SC 2022 Auditor do Estado - Ciências Contábeis (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.