Questão nº 44
Questão de Economia · FGV ALESC 2024 (nº 44)
Em relação à equivalência ricardiana, avalie as afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) Essa hipótese está em linha com o modelo keynesiano, visto que o corte nos impostos terá um efeito positivo no consumo.
( ) Se o governo financiar o corte de impostos hoje através de endividamento a longo prazo, as famílias irão consumir mais, caso não sejam altruístas em relação as suas gerações futuras.
( ) Se os impostos se reduzirem em dT hoje, e se vale a restrição intertemporal do governo, então os impostos irão subir amanhã em dT(1+r), em que dT representa a variação dos impostos e r a taxa de juros.
As afirmativas são, respectivamente,
- AV – V – V.
- BV – V – F.
- CF – V – V. (alternativa correta)
- DF – F – V.
- EF – F – F.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A Equivalência Ricardiana sugere que a forma como o governo financia seus gastos (por impostos hoje ou dívida hoje, implicando impostos futuros) não afeta o consumo total, pois agentes racionais antecipam impostos futuros para pagar a dívida e ajustam sua poupança.
(A) Incorreta: Essa hipótese está em linha com o modelo keynesiano, visto que o corte nos impostos terá um efeito positivo no consumo.
A Equivalência Ricardiana é contrária ao modelo keynesiano. Enquanto Keynesianos preveem que cortes de impostos aumentam o consumo, a equivalência ricardiana argumenta que consumidores racionais pouparão o corte de impostos para pagar impostos futuros mais altos, não aumentando o consumo.
(B) Incorreta: Se o governo financiar o corte de impostos hoje através de endividamento a longo prazo, as famílias irão consumir mais, caso não sejam altruístas em relação as suas gerações futuras.
(C) Correta: Se o governo financiar o corte de impostos hoje através de endividamento a longo prazo, as famílias irão consumir mais, caso não sejam altruístas em relação as suas gerações futuras.
A Equivalência Ricardiana pressupõe que os indivíduos são altruístas e se preocupam com o bem-estar de suas gerações futuras, internalizando a dívida como um fardo que recairá sobre seus descendentes. Se eles não forem altruístas, não se importarão com a dívida futura e, portanto, consumiriam mais hoje, pois não veem a necessidade de poupar para impostos futuros que não os afetarão diretamente. Esta é uma das condições para que a equivalência não se sustente.
(D) Incorreta: Se os impostos se reduzirem em dT hoje, e se vale a restrição intertemporal do governo, então os impostos irão subir amanhã em dT(1+r), em que dT representa a variação dos impostos e r a taxa de juros.
(E) Incorreta: Se os impostos se reduzirem em dT hoje, e se vale a restrição intertemporal do governo, então os impostos irão subir amanhã em dT(1+r), em que dT representa a variação dos impostos e r a taxa de juros.
A restrição orçamentária intertemporal do governo exige que o valor presente de seus gastos seja igual ao valor presente de suas receitas. Se o governo corta impostos em hoje e financia isso com dívida, essa dívida acumulará juros. Para honrar essa dívida e equilibrar seu orçamento no futuro, os impostos deverão aumentar em amanhã (considerando um único período futuro e taxa de juros ), para cobrir o principal e os juros da dívida contraída hoje. Este é o mecanismo central da Equivalência Ricardiana.
Fonte: FGV ALESC 2024 Analista Legislativo III - Economista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.