Questão nº 38
Questão de Controle e Ética na Administração Pública · FGV AGENERSA 2023 (nº 38)
Após regular aprovação em concurso público de provas e títulos, Pedro tomou posse em um cargo público de provimento efetivo no âmbito da administração pública direta do Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro.
A Administração Pública, sete anos depois, recebeu elementos probatórios, encaminhadas por um Juiz de Direito a pedido do Ministério Público, com informações detalhadas a respeito da participação de Pedro em um esquema fraudulento que permitiu que ele tivesse acesso à prova do concurso dias antes de sua realização.
À luz da Lei nº 5.427/2009 do Estado do Rio de Janeiro, o referido ato de nomeação
- Anão pode ser anulado, considerando o decurso do prazo decadencial de cinco anos.
- Bpode ser anulado, apesar do decurso de sete anos, considerando a conduta de Pedro. (alternativa correta)
- Cpode ser anulado, desde que isto ocorra antes da fluência do prazo decadencial de dez anos.
- Dnão pode ser anulado, considerando que a nomeação de Pedro consubstancia ato jurídico perfeito.
- Enão pode ser anulado, considerando o prazo decorrido, mas isto não impede que Pedro seja demitido em processo administrativo disciplinar.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A decadência é a perda do direito de anular um ato administrativo ilegal pelo decurso de um prazo estabelecido em lei, geralmente de cinco anos, a partir da data em que o ato foi praticado. No entanto, se o ato foi obtido por má-fé ou fraude, esse prazo de decadência não se aplica.
(A) Incorreta: Esta alternativa ignora a exceção fundamental à regra da decadência. O prazo de cinco anos não se aplica quando há comprovação de má-fé ou fraude na obtenção do ato, que é o caso da participação de Pedro no esquema fraudulento.
(B) Correta: A Lei nº 5.427/2009 do Estado do Rio de Janeiro, assim como a Lei nº 9.784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal, que serve de base para legislações estaduais), estabelece que o prazo decadencial de cinco anos para a Administração anular atos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários não se aplica aos atos praticados com má-fé. Como Pedro obteve a nomeação por meio de fraude, caracterizando má-fé, a Administração pode anular o ato de nomeação a qualquer tempo, independentemente do decurso de sete anos.
(C) Incorreta: Não há previsão legal de um prazo decadencial de dez anos para a anulação de atos administrativos nesse contexto. A regra geral é de cinco anos, com a exceção para casos de má-fé.
(D) Incorreta: Um ato jurídico obtido mediante fraude não pode ser considerado um ato jurídico perfeito, pois sua formação foi viciada desde o início. A perfeição do ato pressupõe sua conformidade com a lei e a ausência de vícios.
(E) Incorreta: A premissa de que o ato não pode ser anulado devido ao prazo decorrido está errada, conforme explicado na alternativa B. Embora seja verdade que Pedro possa ser demitido em processo administrativo disciplinar (PAD) por sua conduta, a anulação do ato de nomeação é uma medida administrativa cabível e distinta do PAD, e não está impedida pelo prazo neste caso de fraude.
Fonte: FGV AGENERSA 2023 Conhecimentos Comuns (Analista Técnico e Especialista em Regulação) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.