Questão nº 36

Questão de Controle e Ética na Administração Pública · FGV AGENERSA 2023 (nº 36)

FGV2023Comum Analista Técnico e Especialista em RegulaçãoControle e Ética na Administração Pública
Gabarito: Cver comentário ↓

João, servidor público federal, ocupante de cargo de direção em determinado ente da administração pública indireta com personalidade jurídica de direito público, recebeu, para decisão, um recurso hierárquico interposto em um processo licitatório pela sociedade empresária XX. Ao analisar os autos, constatou que a representante desta pessoa jurídica era Maria, filha do irmão do seu pai.
Ao analisar a Lei nº 9.784/1999, à luz dos estritos termos da narrativa, João concluiu, corretamente, que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Impedimento e Suspeição são mecanismos legais que garantem a imparcialidade do servidor público em um processo administrativo, evitando que ele decida sobre assuntos nos quais tenha interesse pessoal ou ligação familiar que possa comprometer sua neutralidade. A Lei nº 9.784/1999 estabelece os graus de parentesco que configuram essas situações.

(A) Incorreta: O parentesco entre João e Maria é de primos em primeiro grau, que corresponde ao 4º grau colateral. A Lei nº 9.784/1999 (Art. 18, II) estabelece o impedimento por parentesco apenas até o 3º grau.
(B) Incorreta: Assim como no impedimento, a suspeição por parentesco (Art. 20 da Lei nº 9.784/1999) também se limita a parentes e afins até o 3º grau. Primos de primeiro grau estão no 4º grau.
(C) Correta: A Lei nº 9.784/1999, nos artigos 18 (impedimento) e 20 (suspeição), limita as hipóteses de parentesco para essas situações até o terceiro grau. Maria, sendo filha do irmão do pai de João, é sua prima em primeiro grau, o que corresponde a um parentesco colateral de quarto grau. Portanto, o grau de parentesco descrito está além do limite legal para configurar impedimento ou suspeição.
(D) Incorreta: A hipótese de impedimento por "orientar Maria" não está descrita no cenário original e, embora pudesse configurar "interesse direto ou indireto na matéria" (Art. 18, I), a questão pede uma conclusão baseada estritamente na narrativa fornecida, que foca no parentesco. A armadilha aqui é introduzir uma condição externa ao problema.
(E) Incorreta: A "teoria da aparência" ou a abstenção por prudência são considerações éticas ou de boa prática administrativa. No entanto, a pergunta pede uma conclusão correta à luz dos estritos termos da Lei nº 9.784/1999. Legalmente, se a lei não configura a situação como impedimento ou suspeição, o servidor não está legalmente obrigado a se abster por essas razões.

Fonte: FGV AGENERSA 2023 Conhecimentos Comuns (Analista Técnico e Especialista em Regulação) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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