Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TST 2017 (nº 5)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 7, considere o texto abaixo.
A coletânea de aforismos que constituem os dois volumes de Humano, demasiado humano*, considerado o marco inicial do segundo período da produção de Nietzsche, é um ajuste de contas definitivo com as ideias fundamentais do sistema filosófico de Schopenhauer. Dedicando o livro à memória do filósofo francês Voltaire e escolhendo como epígrafe uma citação de René Descartes, Nietzsche já o insere simbolicamente na tradição da filosofia das Luzes, caracterizada pela confiança no poder emancipatório da ciência, em seu triunfo contra as trevas da ignorância e da superstição. Não por acaso, portanto, a obra tem como subtítulo* Um livro para espíritos livres*. Se, para o jovem Nietzsche, era a arte – e não a ciência – o que constituía a atividade metafísica do homem, em* Humano, demasiado humano ela é destituída desse privilégio. Fazendo uma referência velada a pressupostos fundamentais da filosofia de Schopenhauer, dos quais partilhara, Nietzsche toma agora o cuidado de se afastar criticamente deles. “Que lugar ainda resta à arte? Antes de tudo, ela ensinou, através de milênios, a olhar com interesse e prazer a vida, em todas as suas formas. Essa doutrina foi implantada em nós; ela vem à luz novamente agora como irresistível necessidade de conhecer. O homem científico é o desenvolvimento do homem artístico”. Se, para o jovem Nietzsche, o aprofundamento do conhecimento científico conduzia à proliferação de um saber erudito e estéril, que sufocava a vida, para o Nietzsche do período intermediário o conhecimento científico torna livre o espírito. Pouco mais tarde, Nietzsche aprofundaria seu novo entendimento relativo ao papel da ciência e à oposição entre esta e a arte. Contrapondo-se àqueles que valorizam apenas a imaginação e as obras-primas do disfarce estético, o filósofo afirma: “eles pensam que a realidade é horrível; contudo, não pensam que o conhecimento até da mais horrível realidade é belo, do mesmo modo que aquele que conhece bastante e amiúde está, por fim, muito longe de considerar horrível o grande todo da realidade, cuja descoberta lhe proporciona sempre felicidade. A felicidade do homem do conhecimento aumenta a beleza do mundo”.
(Adaptado de: GIACOIA JUNIOR, Oswaldo. Nietzsche. São Paulo, Publifolha, 2000, p. 42-46)
Mantendo-se a correção, o elemento sublinhado em pressupostos fundamentais da filosofia de Schopenhauer, dos quais partilhara (3o parágrafo) pode ser substituído por:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 6, questão nº 7.
- Aaos quais interagira
- Ba que havia adotado
- Ccom os quais havia concordado (alternativa correta)
- Dde que se incluíra
- Enos quais havia compartilhado
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Pronomes relativos são palavras que conectam duas orações, substituindo um termo da oração anterior e evitando repetições. A preposição que acompanha o pronome relativo é determinada pela regência (exigência) do verbo da oração que ele introduz.
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Análise do trecho original: "...dos quais partilhara..."
O verbo "partilhar", no sentido de "ter em comum", "concordar com" ou "fazer parte de", exige a preposição "de". Assim, Nietzsche "partilhara de pressupostos". O pronome relativo "quais" retoma "pressupostos", e a preposição "de" (em "dos") está correta. -
(A) Incorreta: O verbo "interagir" geralmente pede a preposição "com" (interagir com algo/alguém). A regência "interagir a algo" (aos quais) está incorreta e o sentido não é equivalente a "partilhar de".
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(B) Incorreta: O verbo "adotar" é transitivo direto (adotar algo), não exigindo preposição. A regência "adotar a algo" (a que) está incorreta.
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(C) Correta: O verbo "concordar" exige a preposição "com" (concordar com algo/alguém). A frase "havia concordado com os pressupostos" está gramaticalmente correta, e o sentido de "concordar com" é semanticamente equivalente a "partilhar de" (ter em comum, aceitar) no contexto.
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(D) Incorreta: O verbo "incluir-se" exige a preposição "em" (incluir-se em algo). A regência "incluir-se de algo" (de que) está incorreta.
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(E) Incorreta: Embora "compartilhar" seja sinônimo de "partilhar", a regência "compartilhar em algo" (nos quais) não se adequa ao sentido de "ter em comum" ou "concordar com" os pressupostos. Para esse sentido, "compartilhar de algo" ou ser transitivo direto seriam mais adequados. A armadilha aqui é a semelhança entre os verbos, mas a preposição "em" (nos) não mantém a correção e o sentido original.
Fonte: FCC TST 2017 Analista Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.