Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FCC TST 2017 (nº 3)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 7, considere o texto abaixo.
A coletânea de aforismos que constituem os dois volumes de Humano, demasiado humano*, considerado o marco inicial do segundo período da produção de Nietzsche, é um ajuste de contas definitivo com as ideias fundamentais do sistema filosófico de Schopenhauer. Dedicando o livro à memória do filósofo francês Voltaire e escolhendo como epígrafe uma citação de René Descartes, Nietzsche já o insere simbolicamente na tradição da filosofia das Luzes, caracterizada pela confiança no poder emancipatório da ciência, em seu triunfo contra as trevas da ignorância e da superstição. Não por acaso, portanto, a obra tem como subtítulo* Um livro para espíritos livres*. Se, para o jovem Nietzsche, era a arte – e não a ciência – o que constituía a atividade metafísica do homem, em* Humano, demasiado humano ela é destituída desse privilégio. Fazendo uma referência velada a pressupostos fundamentais da filosofia de Schopenhauer, dos quais partilhara, Nietzsche toma agora o cuidado de se afastar criticamente deles. “Que lugar ainda resta à arte? Antes de tudo, ela ensinou, através de milênios, a olhar com interesse e prazer a vida, em todas as suas formas. Essa doutrina foi implantada em nós; ela vem à luz novamente agora como irresistível necessidade de conhecer. O homem científico é o desenvolvimento do homem artístico”. Se, para o jovem Nietzsche, o aprofundamento do conhecimento científico conduzia à proliferação de um saber erudito e estéril, que sufocava a vida, para o Nietzsche do período intermediário o conhecimento científico torna livre o espírito. Pouco mais tarde, Nietzsche aprofundaria seu novo entendimento relativo ao papel da ciência e à oposição entre esta e a arte. Contrapondo-se àqueles que valorizam apenas a imaginação e as obras-primas do disfarce estético, o filósofo afirma: “eles pensam que a realidade é horrível; contudo, não pensam que o conhecimento até da mais horrível realidade é belo, do mesmo modo que aquele que conhece bastante e amiúde está, por fim, muito longe de considerar horrível o grande todo da realidade, cuja descoberta lhe proporciona sempre felicidade. A felicidade do homem do conhecimento aumenta a beleza do mundo”.
(Adaptado de: GIACOIA JUNIOR, Oswaldo. Nietzsche. São Paulo, Publifolha, 2000, p. 42-46)
... ela é destituída desse privilégio. (3o parágrafo)
... e à oposição entre esta e a arte. (último parágrafo)
Os pronomes sublinhados acima retomam, respectivamente, os seguintes elementos:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7.
- Aa arte – a imaginação
- Ba ciência – a realidade
- Ca atividade metafísica – a realidade
- Da arte – a ciência (alternativa correta)
- Ea atividade metafísica – a imaginação
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Coesão referencial é o uso de palavras (como pronomes, advérbios ou sinônimos) para retomar termos já mencionados no texto, evitando repetições e garantindo a fluidez da leitura. É como criar "pontes" entre as ideias.
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Análise do primeiro pronome: "... ela é destituída desse privilégio."
- A frase completa é: "Se, para o jovem Nietzsche, era a arte – e não a ciência – o que constituía a atividade metafísica do homem, em Humano, demasiado humano ela é destituída desse privilégio."
- O pronome "ela" retoma o sujeito da oração anterior que está sendo contrastado, que é "a arte". A arte, que antes tinha o privilégio de ser a atividade metafísica, agora é destituída dele.
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Análise do segundo pronome: "... e à oposição entre esta e a arte."
- A frase completa é: "Pouco mais tarde, Nietzsche aprofundaria seu novo entendimento relativo ao papel da ciência e à oposição entre esta e a arte."
- A expressão "oposição entre esta e a arte" indica que "esta" se refere ao elemento que está sendo contrastado com "a arte". O termo imediatamente anterior que se encaixa nesse contraste é "a ciência".
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(A) Incorreta: O primeiro elemento ("a arte") está correto, mas o segundo ("a imaginação") não. O pronome "esta" retoma "a ciência", que é o termo em oposição a "a arte" no contexto. "A imaginação" aparece mais tarde no parágrafo, mas não é o antecedente de "esta" nessa construção.
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(B) Incorreta: Ambos os elementos estão incorretos. O pronome "ela" retoma "a arte", não "a ciência". O pronome "esta" retoma "a ciência", não "a realidade".
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(C) Incorreta: Ambos os elementos estão incorretos. Embora "a arte" fosse a "atividade metafísica", o pronome "ela" retoma diretamente "a arte". O pronome "esta" retoma "a ciência", não "a realidade". A armadilha aqui é escolher um conceito relacionado ("atividade metafísica") em vez do antecedente direto ("a arte").
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(D) Correta: O pronome "ela" retoma "a arte" (que era a atividade metafísica e agora é destituída de privilégio). O pronome "esta" retoma "a ciência" (que está em oposição à arte no novo entendimento de Nietzsche).
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(E) Incorreta: Ambos os elementos estão incorretos. O pronome "ela" retoma "a arte", não "a atividade metafísica". O pronome "esta" retoma "a ciência", não "a imaginação".
Fonte: FCC TST 2017 Analista Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.