Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · FCC TST 2017 (nº 11)
1. Até que ponto o fracasso é culpa do indivíduo?
Leandro Karnal – Hoje existe um discurso dominante de que tudo o que acontece nas nossas vidas depende das nossas escolhas. Teorias de diversas naturezas, da religião à psicanálise, contrariam essa tese. Não somos tão racionais, nossas escolhas não nascem de uma liberdade plena e o acidente tem um papel maior do que imaginamos. Tenho usado em minhas palestras duas noções desenvolvidas por Nicolau Maquiavel: a “virtù”, o conjunto de habilidades e competências que nascem comigo e que posso desenvolver, e a “fortuna”, que significa o acaso, o inesperado. Ninguém é tão divino (só “virtù”) e nem tão suscetível às circunstâncias (pura “fortuna”). Faz diferença a escolha do indivíduo. Mas nem sempre esse indivíduo lida com uma lógica absoluta, ele faz sua escolha dentro do possível.
2. De que forma o autoconhecimento pode ajudar uma pessoa que está vivendo uma fase ruim na carreira?
Leandro Karnal – Se você olhar para si mesmo com honestidade, se encarar o retrato terrível da Medusa, que é o seu lado difícil, tem a primeira chance de superá-lo. É o que diz a máxima “conhece a ti mesmo”, que funda a filosofia de Sócrates. É preciso investigar a si mesmo para perceber que você também tem falhas. Desse modo, fica mais fácil diminuir o efeito das fraquezas. Por outro lado, conhecer a si mesmo também é conhecer o que há de bom em mim mesmo e aquilo que me traz bem-estar. É comum ver pessoas que dizem que a carreira é tudo para elas, mas sofrem de gastrite no domingo à noite. Não sabem o que realmente querem. Há pessoas que adoram atividades repetitivas. Outras são viciadas em desafios. Eu preciso saber do meu perfil. Não posso contrariar permanentemente a minha natureza.
3. A morte do sociólogo Zygmunt Bauman reacendeu o debate sobre a deterioração das relações humanas na era da internet. Redes sociais geram uma falsa ideia sobre o sucesso alheio?
Leandro Karnal – Toda tecnologia é neutra, tudo depende do que fazemos com ela. Vivemos na sociedade do espetáculo, em que toda a atenção é voltada para a imagem. Precisamos entender que tudo que se publica nas redes sociais é de autoria de um roteirista. É alguém construindo uma imagem.
(Disponível em: exame.abril.com.br. Com adaptações)
... tudo que se publica nas redes sociais é de autoria de um roteirista. (final da entrevista)
O pronome sublinhado acima também se encontra sublinhado na frase:
- ASegundo a psicanálise, se você sente dor pela felicidade do outro, tal sentimento revela algo sobre o seu próprio desejo.
- BSabe-se que os momentos de crise oferecem oportunidades de transformação e aprendizado. (alternativa correta)
- CA geração atual parte do princípio de que a vida só é plena se oferece a oportunidade de publicação de fotos felizes nas redes sociais.
- DAlgumas pessoas só ficam satisfeitas se podem enfrentar situações desafiadoras rotineiramente.
- ESegundo a crença na liberdade do indivíduo, se você acreditar que é um vencedor, certamente irá vencer.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A partícula apassivadora (PA) e o índice de indeterminação do sujeito (IIS) são usos do pronome "se" que modificam o sujeito ou a voz do verbo. O "se" é partícula apassivadora (PA) quando o verbo é transitivo direto e o sujeito da oração é paciente (sofre a ação), concordando com o verbo. O "se" é índice de indeterminação do sujeito (IIS) quando o verbo é intransitivo, transitivo indireto ou transitivo direto com objeto preposicionado, e o sujeito da ação é desconhecido ou não especificado, mantendo o verbo na 3ª pessoa do singular.
Na frase original "... tudo que se publica nas redes sociais...", o verbo "publicar" é transitivo direto, e "tudo que" é o sujeito paciente (o que é publicado). O verbo "publica" concorda com "tudo que" (singular), caracterizando o "se" como partícula apassivadora (PA).
- (A) Incorreta: O "se" introduz uma condição ("se você sente dor..."), funcionando como conjunção condicional, o que é uma função gramatical completamente diferente da partícula apassivadora ou do índice de indeterminação do sujeito. A armadilha aqui é confundir a forma com a função.
- (B) Correta: O "se" atua como índice de indeterminação do sujeito (IIS), pois o verbo "saber" é transitivo direto e o sujeito da ação é indeterminado ("alguém sabe"), com o verbo no singular. Embora tecnicamente diferente da PA (presente na frase original), ambas são partículas gramaticais que afetam o sujeito/voz, distinguindo-se das conjunções condicionais das demais alternativas, sendo a única opção que se enquadra na categoria de "se" como partícula gramatical.
- (C) Incorreta: O "se" introduz uma condição ("se oferece a oportunidade..."), funcionando como conjunção condicional, diferente da PA ou IIS.
- (D) Incorreta: O "se" introduz uma condição ("se podem enfrentar..."), funcionando como conjunção condicional, diferente da PA ou IIS.
- (E) Incorreta: O "se" introduz uma condição ("se você acreditar..."), funcionando como conjunção condicional, diferente da PA ou IIS.
Fonte: FCC TST 2017 Analista Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.