Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT9 2022 (nº 7)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, baseie-se no texto abaixo.
O animal que se tornou um deus
Há 70 mil anos, o Homo sapiens ainda era um animal insignificante cuidando da sua própria vida em algum canto da África. Nos milênios seguintes, ele se transformou no senhor de todo o planeta e no terror do ecossistema. Hoje, ele está prestes a se tornar um deus, pronto para adquirir não só a juventude eterna como também as capacidades divinas de criação e destruição.
Infelizmente, até agora o regime dos sapiens sobre a Terra produziu poucas coisas das quais podemos nos orgulhar. Nós dominamos o meio à nossa volta, aumentamos a produção de alimentos, construímos cidades, fundamos impérios e criamos grandes redes de comércio. Mas diminuímos a quantidade de sofrimento no mundo? Repetidas vezes, os aumentos gigantescos na capacidade humana não necessariamente melhoraram o bem-estar dos sapiens como indivíduos e geralmente causaram enorme sofrimento a outros animais.
Apesar das coisas impressionantes de que os humanos são capazes de fazer, nós continuamos sem saber ao certo quais são nossos objetivos e, ao que parece, estamos insatisfeitos como sempre. Avançamos de canoas e galés a navios a vapor e naves espaciais – mas ninguém sabe para onde estamos indo. Somos mais poderosos do que nunca, mas temos pouca ideia do que fazer com todo esse poder. O que é ainda pior, os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca. Deuses por mérito próprio, contando apenas com as leis da física para nos fazer companhia, estamos destruindo os outros animais e o ecossistema à nossa volta, visando a não muito mais do que nosso próprio conforto e divertimento, mas jamais encontrando satisfação.
Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 427-428)
O regime dos sapiens produziu poucas coisas das quais podem se orgulhar.
A frase acima permanecerá gramaticalmente correta caso se substitua o segmento sublinhado por
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 8.
- Aem cujas podem se exaltar
- Bporque têm de se envaidecer
- Cdonde podem se gabar
- Dem cujo valor confiem (alternativa correta)
- Epelas quais creditem algum mérito
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Pronomes relativos são palavras que conectam uma oração subordinada a uma oração principal, retomando um termo (antecedente) da principal e exercendo uma função sintática na subordinada, geralmente acompanhados de preposições exigidas pelo verbo ou nome da oração subordinada.
- Original: "das quais podem se orgulhar" (orgulhar-se DE algo, "as quais" retoma "poucas coisas").
- Substituição: "em cujo valor confiem" (confiar EM algo, "cujo valor" retoma "o valor DAS poucas coisas").
A) Incorreta: A construção "em cujas" sem um substantivo logo em seguida é gramaticalmente incorreta para o pronome "cujo", que sempre precede o substantivo ao qual se refere (ex: "cujas qualidades"). Além disso, o verbo "exaltar-se" não pede a preposição "em" nesse contexto.
B) Incorreta: "Porque" é uma conjunção explicativa, não um pronome relativo. Sua substituição alteraria a estrutura sintática da frase, transformando a oração em uma explicação e não em uma oração adjetiva que qualifica "poucas coisas".
C) Incorreta: "Donde" (de onde) é um pronome relativo que indica lugar ou origem, o que não se aplica a "poucas coisas". O verbo "gabar-se" pede a preposição "de", mas "donde" não é o pronome adequado aqui.
D) Correta: O pronome relativo "cujo" (e suas variações) estabelece uma relação de posse ("o valor das coisas"). Ele concorda em gênero e número com o substantivo que o segue ("valor", masculino singular, então "cujo"). A preposição "em" é exigida pelo verbo "confiar" (confiar EM algo/alguém). Assim, "em cujo valor confiem" significa "confiem no valor das poucas coisas", mantendo a correção gramatical e o sentido.
E) Incorreta: A regência do verbo "creditar" geralmente é "creditar algo A alguém/algo" ou "creditar mérito POR algo". A construção "pelas quais creditem algum mérito" é menos idiomática e não se alinha tão bem com o sentido de "orgulhar-se de" quanto a alternativa correta.
Fonte: FCC TRT9 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.