Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT9 2022 (nº 4)

FCC2022Analista Judiciário - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, baseie-se no texto abaixo.

O animal que se tornou um deus

Há 70 mil anos, o Homo sapiens ainda era um animal insignificante cuidando da sua própria vida em algum canto da África. Nos milênios seguintes, ele se transformou no senhor de todo o planeta e no terror do ecossistema. Hoje, ele está prestes a se tornar um deus, pronto para adquirir não só a juventude eterna como também as capacidades divinas de criação e destruição.

Infelizmente, até agora o regime dos sapiens sobre a Terra produziu poucas coisas das quais podemos nos orgulhar. Nós dominamos o meio à nossa volta, aumentamos a produção de alimentos, construímos cidades, fundamos impérios e criamos grandes redes de comércio. Mas diminuímos a quantidade de sofrimento no mundo? Repetidas vezes, os aumentos gigantescos na capacidade humana não necessariamente melhoraram o bem-estar dos sapiens como indivíduos e geralmente causaram enorme sofrimento a outros animais.

Apesar das coisas impressionantes de que os humanos são capazes de fazer, nós continuamos sem saber ao certo quais são nossos objetivos e, ao que parece, estamos insatisfeitos como sempre. Avançamos de canoas e galés a navios a vapor e naves espaciais – mas ninguém sabe para onde estamos indo. Somos mais poderosos do que nunca, mas temos pouca ideia do que fazer com todo esse poder. O que é ainda pior, os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca. Deuses por mérito próprio, contando apenas com as leis da física para nos fazer companhia, estamos destruindo os outros animais e o ecossistema à nossa volta, visando a não muito mais do que nosso próprio conforto e divertimento, mas jamais encontrando satisfação.

Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 427-428)


O poeta Manuel Bandeira também apresenta uma avaliação geral e fulminante da vida humana num verso seu que diz: “A vida é uma agitação feroz e sem finalidade”. Tal avaliação do poeta aproxima-se, essencialmente, da avaliação que faz Harari em seu texto porque em ambas

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

O conceito-chave aqui é a comparação de ideias entre dois textos. Isso significa encontrar pontos em comum nas mensagens ou avaliações que os autores expressam, mesmo que usem palavras diferentes.

  • (A) Correta: Ambos os textos reconhecem a grande energia e capacidade de realização dos humanos ("agitação feroz" em Bandeira; "senhor do planeta", "poderosos", "construímos cidades" em Harari) e, ao mesmo tempo, a ausência de um propósito claro ou satisfação final para toda essa atividade ("sem finalidade" em Bandeira; "sem saber ao certo quais são nossos objetivos", "insatisfeitos como sempre" em Harari).

  • (B) Incorreta: Embora Harari mencione a capacidade destrutiva, ele não afirma que ela rege fundamentalmente todas as iniciativas humanas; ele também lista conquistas. Bandeira, por sua vez, foca na falta de finalidade, não primariamente na destruição. A armadilha aqui é focar em um aspecto negativo presente em Harari e tentar generalizá-lo como o ponto central de comparação, ignorando a ênfase na falta de propósito.

  • (C) Incorreta: O verso de Bandeira não aborda a condição isolada da espécie humana ou sua elevação a uma divindade. Harari menciona a divindade, mas não como o ponto principal de comparação com a frase de Bandeira.

  • (D) Incorreta: Os textos não revelam temor de se lançar em projetos. Pelo contrário, Harari descreve uma humanidade que avança e constrói, e Bandeira fala de "agitação feroz", sugerindo ação intensa, não receio.

  • (E) Incorreta: Harari explicitamente afirma que os humanos estão "insatisfeitos como sempre" e "jamais encontrando satisfação", contradizendo a ideia de que a aventura em si traz satisfação. Bandeira, com "sem finalidade", também não sugere que a aventura seja o sentido final.

Fonte: FCC TRT9 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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