Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT9 2022 (nº 5)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, baseie-se no texto abaixo.
O animal que se tornou um deus
Há 70 mil anos, o Homo sapiens ainda era um animal insignificante cuidando da sua própria vida em algum canto da África. Nos milênios seguintes, ele se transformou no senhor de todo o planeta e no terror do ecossistema. Hoje, ele está prestes a se tornar um deus, pronto para adquirir não só a juventude eterna como também as capacidades divinas de criação e destruição.
Infelizmente, até agora o regime dos sapiens sobre a Terra produziu poucas coisas das quais podemos nos orgulhar. Nós dominamos o meio à nossa volta, aumentamos a produção de alimentos, construímos cidades, fundamos impérios e criamos grandes redes de comércio. Mas diminuímos a quantidade de sofrimento no mundo? Repetidas vezes, os aumentos gigantescos na capacidade humana não necessariamente melhoraram o bem-estar dos sapiens como indivíduos e geralmente causaram enorme sofrimento a outros animais.
Apesar das coisas impressionantes de que os humanos são capazes de fazer, nós continuamos sem saber ao certo quais são nossos objetivos e, ao que parece, estamos insatisfeitos como sempre. Avançamos de canoas e galés a navios a vapor e naves espaciais – mas ninguém sabe para onde estamos indo. Somos mais poderosos do que nunca, mas temos pouca ideia do que fazer com todo esse poder. O que é ainda pior, os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca. Deuses por mérito próprio, contando apenas com as leis da física para nos fazer companhia, estamos destruindo os outros animais e o ecossistema à nossa volta, visando a não muito mais do que nosso próprio conforto e divertimento, mas jamais encontrando satisfação.
Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 427-428)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8.
- ARemontam aos primeiros milênios das atividades dos sapiens sua poderosa escalada de poder neste planeta.
- BComo haveria de julgar positivos os feitos da caminhada civilizatória quem ignora até mesmo os objetivos dela? (alternativa correta)
- CÉ possível que haja diminuído os sofrimentos do mundo, mas hão que se considerar os transtornos trazidos ao ecossistema.
- DDepreende-se do espírito mesmo desse texto desconfianças sérias do autor quanto à positividade da trajetória humana.
- ENão convém que deuses insatisfeitos e irresponsáveis acelerem um processo de cujo resultado não tenha clareza.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Concordância verbal é a regra gramatical que exige que o verbo se ajuste em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) ao seu sujeito.
- (A) Incorreta: O sujeito de "Remontam" é "sua poderosa escalada de poder" (singular), então o verbo deveria ser "Remonta".
- (B) Correta: O sujeito de "haveria" é "quem" (3ª pessoa do singular), e o sujeito de "ignora" também é "quem" (3ª pessoa do singular). Ambos os verbos concordam corretamente.
- (C) Incorreta: A expressão "haver que" no sentido de obrigação ("é preciso que") é impessoal e deve permanecer no singular, então "hão que se considerar" deveria ser "há que se considerar".
- (D) Incorreta: O sujeito de "Depreende-se" é "desconfianças sérias" (plural), então o verbo deveria ser "Depreendem-se".
- (E) Incorreta: A construção "de cujo resultado não tenha clareza" é gramaticalmente inadequada. A forma mais correta seria "de cujo resultado não se tenha clareza" (com o "se" de indeterminação do sujeito) ou "cujo resultado não é claro". A frase como está, com "tenha" tendo "resultado" como sujeito, soa forçada e não é a forma padrão de expressar a ideia.
Fonte: FCC TRT9 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.