Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT9 2022 (nº 6)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, baseie-se no texto abaixo.
O animal que se tornou um deus
Há 70 mil anos, o Homo sapiens ainda era um animal insignificante cuidando da sua própria vida em algum canto da África. Nos milênios seguintes, ele se transformou no senhor de todo o planeta e no terror do ecossistema. Hoje, ele está prestes a se tornar um deus, pronto para adquirir não só a juventude eterna como também as capacidades divinas de criação e destruição.
Infelizmente, até agora o regime dos sapiens sobre a Terra produziu poucas coisas das quais podemos nos orgulhar. Nós dominamos o meio à nossa volta, aumentamos a produção de alimentos, construímos cidades, fundamos impérios e criamos grandes redes de comércio. Mas diminuímos a quantidade de sofrimento no mundo? Repetidas vezes, os aumentos gigantescos na capacidade humana não necessariamente melhoraram o bem-estar dos sapiens como indivíduos e geralmente causaram enorme sofrimento a outros animais.
Apesar das coisas impressionantes de que os humanos são capazes de fazer, nós continuamos sem saber ao certo quais são nossos objetivos e, ao que parece, estamos insatisfeitos como sempre. Avançamos de canoas e galés a navios a vapor e naves espaciais – mas ninguém sabe para onde estamos indo. Somos mais poderosos do que nunca, mas temos pouca ideia do que fazer com todo esse poder. O que é ainda pior, os humanos parecem mais irresponsáveis do que nunca. Deuses por mérito próprio, contando apenas com as leis da física para nos fazer companhia, estamos destruindo os outros animais e o ecossistema à nossa volta, visando a não muito mais do que nosso próprio conforto e divertimento, mas jamais encontrando satisfação.
Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 427-428)
Somos mais poderosos do que nunca, mas temos pouca ideia do que fazer com todo esse poder.
O sentido da frase acima está preservado, em linguagem clara e correta, nesta nova redação:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 7, questão nº 8.
- AÀ medida que tenhamos mais do que nunca poder, pouca ideia temos do que fazer com o mesmo.
- BSe é pouca a ideia do que fazermos com todo ele, nem por isso se deixa de ter esse poder como nunca.
- CPouca ideia temos do que fazer com nosso poder, não obstante estarmos agora mais poderosos do que nunca. (alternativa correta)
- DÉ pouca a ideia do que fazer com o poder que temos, haja vista sermos agora mais poderosos que nunca.
- EMesmo que nunca tenhamos sido mais poderosos, por outro lado temos pouca ideia do que fazer com ele.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Para reescrever uma frase mantendo seu sentido e clareza, é preciso identificar a ideia principal e a relação lógica entre as partes (como causa, consequência, contraste, adição, etc.), e então escolher conectivos e estruturas que expressem o mesmo.
- (A) Incorreta: A expressão "À medida que" indica proporção ou simultaneidade, o que altera a relação de contraste ("mas") presente na frase original. Além disso, o uso de "o mesmo" é considerado vago e deve ser evitado.
- (B) Incorreta: A conjunção "Se" introduz uma condição, o que muda a relação lógica da frase original, que é de contraste. A construção também é um pouco rebuscada e menos direta.
- (C) Correta: A expressão "não obstante" é uma conjunção concessiva que significa "apesar de", "embora", "contudo", estabelecendo a mesma relação de contraste ("mas") da frase original. A nova redação mantém o sentido de que, apesar do grande poder, há pouca ideia sobre como usá-lo, com clareza e correção gramatical.
- (D) Incorreta: A locução "haja vista" introduz uma justificativa ou causa ("tendo em vista", "considerando que"). A frase original, com o "mas", expressa um contraste, não uma causa para a falta de ideias. A armadilha aqui é confundir a relação de oposição com uma de justificativa.
- (E) Incorreta: A primeira parte da frase, "Mesmo que nunca tenhamos sido mais poderosos", contradiz diretamente a afirmação da frase original ("Somos mais poderosos do que nunca"). A relação de concessão ("Mesmo que") é adequada, mas o conteúdo da concessão está incorreto.
Fonte: FCC TRT9 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.