Questão nº 3

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT6 2025 (nº 3)

FCC2025Técnico Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

A violência é sempre a dos outros

Aprendemos com a História que cada época justifica e naturaliza a seu modo as violências que lhe são próprias. As várias experiências de violência que vão surgindo ao longo dos séculos acusam as anteriores, não hesitando em apontar a barbárie das outras todas, enquanto deixam de acusar a que carregam consigo.

Veja-se esta observação do crítico francês Raymond Boudon: "Os gregos e os romanos aceitavam a escravidão porque não imaginavam que uma sociedade pudesse funcionar sem escravos. Estamos numa posição semelhante no que diz respeito à pobreza, na qual se encontram milhões e milhões de criaturas. Estamos convencidos de que uma sociedade justa deve procurar erradicá-la. Mas, como não conseguimos conceber os meios que permitem atingir esse objetivo, aceitamos que uma sociedade comporte grandes bolsões de pobreza. Em contrapartida, não hesitamos em condenar a prática da escravidão".

Parece que tendemos a ser sempre mais complacentes conosco e com a nossa época, avaliando com o maior rigor os descalabros do passado. Também no plano das relações pessoais a consideração que temos uns pelos outros pode não estar marcada pelo amor ao semelhante, mas pela aversão ao dessemelhante. Mas curiosamente, ao se lembrar de sua história pessoal, de sua infância idealizada, cada um de nós pode concluir que "antigamente, sim, tudo era melhor"...

(Alceste Romero de Brito, a editar)


Da comparação entre as violências já havidas na História e as que ocorrem sob os nossos olhos deve-se deduzir que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O conceito-chave do texto é a hipocrisia histórica: cada geração ou época tende a justificar e naturalizar as violências que lhe são próprias, enquanto condena com rigor as violências de épocas passadas, sem aplicar o mesmo critério de tolerância ou compreensão.

  • (A) Incorreta: O texto sugere que a avaliação de outras épocas é feita com base nos critérios presentes, mas isso não garante "isenção" (imparcialidade). Pelo contrário, essa abordagem leva à condenação do passado e à complacência com o presente, o que é o oposto de isenção.
  • (B) Incorreta: O texto afirma o oposto. Nós "não hesitamos em apontar a barbárie das outras todas" (violências do passado) e "condenar a prática da escravidão". Não buscamos justificar as violências passadas, mas sim as do presente.
  • (C) Incorreta: O texto menciona a idealização da "história pessoal, de sua infância idealizada", mas, em relação ao passado histórico geral, diz que o avaliamos "com o maior rigor os descalabros do passado". A alternativa mistura idealização pessoal com a avaliação histórica geral.
  • (D) Correta: Esta alternativa resume perfeitamente a tese do texto. A "relativização justificadora das violências do nosso tempo" (como a aceitação da pobreza) é o mecanismo que usamos para lidar com as violências atuais. Essa mesma relativização não é aplicada quando avaliamos as violências passadas (como a escravidão), que são condenadas sem hesitação.
  • (E) Incorreta: O texto mostra que nossos antepassados aceitavam suas próprias violências (como a escravidão), não as condenavam. A condenação dessas violências é uma característica da nossa época, não dos antepassados que as praticavam.

Fonte: FCC TRT6 2025 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.

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