Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT24 2016 (nº 5)

FCC2016Comum Analista JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

A representação da “realidade” na imprensa

Parece ser um fato assentado, para muitos, que um jornal ou um telejornal expresse a “realidade”. Folhear os cadernos de papel de ponta a ponta ou seguir pacientemente todas as imagens do grande noticiário televisivo seriam operações que atualizariam a cada dia nossa “compreensão do mundo”. Mas esse pensamento, tão disseminado quanto ingênuo, não leva em conta a questão da perspectiva pela qual se interpretam todas e quaisquer situações focalizadas. Submetermo-nos à visada do jornalista que compôs a notícia, ou mesmo à do câmera que flagra uma situação (e que, aliás, tem suas tomadas sob o controle de um editor de imagens), é desfazermo-nos da nossa própria capacidade de análise, é renunciarmos à perspectiva de sujeitos da nossa interpretação.

Tanto quanto os propalados e indiscutíveis “fatos”, as notícias em si mesmas, com a forma acabada pela qual se veiculam, são parte do mundo: convém averiguar a quem interessa o contorno de uma análise política, o perfil criado de uma personalidade, o sentido de um levante popular ou o alcance de uma medida econômica. O leitor e o espectador atentos ao que leem ou veem não têm o direito de colocar de lado seu senso crítico e tomar a notícia como espelho fiel da “realidade”. Antes de julgarmos “real” o “fato” que já está interpretado diante de nossos olhos, convém reconhecermos o ângulo pelo qual o fato se apresenta como indiscutível e como se compõe, por palavras ou imagens, a perspectiva pela qual uma bem particular “realidade” quer se impor para nós, dispensando-nos de discutir o ponto de vista pelo qual se construiu uma informação.

(Tibério Gaspar, inédito)


Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A regência trata da relação entre um termo (verbo ou nome) e seus complementos, indicando se há ou não uma preposição específica. A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo "a" (ou "as") ou com pronomes demonstrativos, ocorrendo quando um termo regente exige a preposição "a" e o termo regido é feminino e aceita o artigo "a".

(A) Incorreta: O verbo "depender" rege a preposição "de" ("depende da atenção"), portanto, o correto seria "de cuja atenção". Além disso, o verbo "hesitar" rege a preposição "em" ou não exige preposição antes de infinitivo ("hesita em reconhecer" ou "hesita reconhecer"), e não "de".
(B) Incorreta: O pronome "lhe" é singular, mas se refere a "bons leitores", que é plural. O correto seria "lhes" ("nunca lhes escapa a necessidade"). O uso de "as" como objeto direto de "elaborou" está correto, mas o erro do "lhe" torna a alternativa incorreta.
(C) Incorreta: O verbo "faltar" aqui exige a preposição "a" ("falta a muita gente"), mas como "muita gente" não é precedido de artigo definido, não ocorre crase. O correto seria "falta a muita gente". Além disso, "determinar-se" pede a preposição "a" antes de infinitivo ("determinar-se a retratar"), portanto, "o modo a que ela se determina retratar" ou "o modo pelo qual", e não "ao qual".
(D) Incorreta: "Aonde" indica movimento para um lugar. O leitor está comprometido em algo ou com algo, não havendo movimento. O correto seria "em que" ou "com a qual". A crase antes de verbo no infinitivo ("imaginar") é sempre proibida. O correto seria "levados a imaginar".
(E) Correta: O verbo "ocorrer" (no sentido de vir à mente) é transitivo indireto e pede a preposição "a" ("ocorrer a alguém"). "Lhes" é o pronome oblíquo átono que substitui "a eles" (os leitores), estando correto no plural. O adjetivo "imune" rege a preposição "a" ("imune a algo"), e "manipulação" é um substantivo feminino que aceita o artigo "a" ("a manipulação"), resultando na crase ("à manipulação").

Fonte: FCC TRT24 2016 Conhecimentos Comuns (Analista Judiciária) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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