Questão nº 13
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT22 2022 (nº 13)
Atenção: Para responder às questões de números 8 a 13, baseie-se no texto abaixo.
Se é verdade que a capacidade de ficar perplexo é o começo da sabedoria, então esta verdade é um triste comentário à sabedoria do homem moderno. Quaisquer que sejam os méritos de nosso elevado grau de educação literária e universal, perdemos o dom de ficar perplexos. Imagina-se que tudo seja conhecido − senão por nós, por algum especialista cujo mister seja saber aquilo que não sabemos. De fato, ficar perplexo é constrangedor, um indício de inferioridade intelectual. À medida que vamos envelhecendo, aos poucos perdemos a capacidade de ficar surpresos. Até as crianças raramente se surpreendem, ou pelo menos procuram não demonstrar isso. Saber as respostas certas parece ser o principal; em comparação, considera-se insignificante o saber fazer as perguntas certas.
Quiçá seja esta atitude uma razão por que um dos mais enigmáticos fenômenos de nossa vida, os nossos sonhos, dê margem a pouco espanto e suscite tão poucas perguntas. Todos sonhamos: não entendemos nossos sonhos, e no entanto agimos como se de nada estranho corresse em nossas mentes adormecidas, estranho ao menos em comparação com as atividades lógicas, deliberadas, de nossas mentes quando estamos acordados.
Quando acordados, somos seres ativos, racionais, ávidos por tentar obter o que desejamos e prontos a defender-nos contra qualquer ataque. Agimos e observamos; vemos o mundo exterior, talvez não como seja, mas no mínimo de maneira tal que o possamos usar e manipular. Todavia, também somos bastante desprovidos de imaginação, e raramente − exceto quando crianças ou se somos poetas − logramos conceber mais do que meras duplicações dos acontecimentos e tramas de nossa experiência concreta. Somos eficientes, mas um tanto desenxabidos. Denominamos ao campo de nossa observação diurna “realidade” e orgulhamo-nos de nosso “realismo” e de nossa habilidade de manipulá-la.
Quando acordados, somos seres ativos, racionais, ávidos por tentar obter o que desejamos e prontos a defender-nos contra qualquer ataque.
Considerado o contexto, o elemento sublinhado exerce a mesma função sintática que o também sublinhado em:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10, questão nº 11, questão nº 12.
- ATodos sonhamos: não entendemos nossos sonhos. (alternativa correta)
- Bentão esta verdade é um triste comentário à sabedoria do homem moderno.
- Ce no entanto agimos como se de nada estranho corresse em nossas mentes adormecidas.
- DImagina-se que tudo seja conhecido − senão por nós, por algum especialista.
- Eorgulhamo-nos de nosso “realismo”.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O objeto direto é o termo da oração que completa o sentido de um verbo transitivo direto, ligando-se a ele sem o uso de preposição obrigatória. Ele indica o alvo ou o resultado da ação verbal.
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Análise do termo sublinhado na frase original:
"Quando acordados, somos seres ativos, racionais, ávidos por tentar obter o que desejamos e prontos a defender-nos contra qualquer ataque."
Na oração "o que desejamos", "o que" pode ser entendido como "aquilo que". O verbo "desejamos" é transitivo direto. Desejamos o quê? "o que" (aquilo). Portanto, o que funciona como objeto direto do verbo "desejamos". -
Análise das alternativas:
(A) Correta: Todos sonhamos: não entendemos nossos sonhos.**
O verbo "entendemos" é transitivo direto. Entendemos o quê? "nossos sonhos". "Nossos sonhos" é o objeto direto do verbo "entendemos", exercendo a mesma função sintática que o "que" na frase original.
(B) Incorreta: então esta verdade é um triste comentário à sabedoria do homem moderno.
"Esta verdade" é o sujeito do verbo de ligação "é".
(C) Incorreta: e no entanto agimos como se de nada estranho corresse em nossas mentes adormecidas.**
"Em nossas mentes adormecidas" indica lugar e funciona como adjunto adverbial de lugar.
(D) Incorreta: Imagina-se que tudo seja conhecido − senão por nós, por algum especialista.
Nesta frase, o "que" é uma conjunção integrante. Sua função é introduzir uma oração subordinada substantiva (neste caso, objetiva direta ou subjetiva, dependendo da análise do "se"). Como conjunção integrante, o "que" não exerce uma função sintática dentro da oração subordinada (como sujeito, objeto, etc.), mas sim serve como um elo, introduzindo a oração substantiva que, por sua vez, funciona como objeto direto ou sujeito do verbo principal. A armadilha é confundir a função do "que" pronome relativo (que tem função sintática interna) com o "que" conjunção integrante (que não tem função sintática interna, apenas introdutória).
(E) Incorreta: orgulhamo-nos de nosso “realismo”.
O verbo "orgulhamo-nos" é transitivo indireto (pronominal), exigindo a preposição "de". "De nosso 'realismo'" é o objeto indireto do verbo "orgulhamo-nos".
Fonte: FCC TRT22 2022 Conhecimentos Comuns (Área Apoio Especializado TRT22 2022) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.