Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT22 2022 (nº 9)
Atenção: Para responder às questões de números 8 a 13, baseie-se no texto abaixo.
Se é verdade que a capacidade de ficar perplexo é o começo da sabedoria, então esta verdade é um triste comentário à sabedoria do homem moderno. Quaisquer que sejam os méritos de nosso elevado grau de educação literária e universal, perdemos o dom de ficar perplexos. Imagina-se que tudo seja conhecido − senão por nós, por algum especialista cujo mister seja saber aquilo que não sabemos. De fato, ficar perplexo é constrangedor, um indício de inferioridade intelectual. À medida que vamos envelhecendo, aos poucos perdemos a capacidade de ficar surpresos. Até as crianças raramente se surpreendem, ou pelo menos procuram não demonstrar isso. Saber as respostas certas parece ser o principal; em comparação, considera-se insignificante o saber fazer as perguntas certas.
Quiçá seja esta atitude uma razão por que um dos mais enigmáticos fenômenos de nossa vida, os nossos sonhos, dê margem a pouco espanto e suscite tão poucas perguntas. Todos sonhamos: não entendemos nossos sonhos, e no entanto agimos como se de nada estranho corresse em nossas mentes adormecidas, estranho ao menos em comparação com as atividades lógicas, deliberadas, de nossas mentes quando estamos acordados.
Quando acordados, somos seres ativos, racionais, ávidos por tentar obter o que desejamos e prontos a defender-nos contra qualquer ataque. Agimos e observamos; vemos o mundo exterior, talvez não como seja, mas no mínimo de maneira tal que o possamos usar e manipular. Todavia, também somos bastante desprovidos de imaginação, e raramente − exceto quando crianças ou se somos poetas − logramos conceber mais do que meras duplicações dos acontecimentos e tramas de nossa experiência concreta. Somos eficientes, mas um tanto desenxabidos. Denominamos ao campo de nossa observação diurna “realidade” e orgulhamo-nos de nosso “realismo” e de nossa habilidade de manipulá-la.
A redação alternativa para um segmento do texto em que a pontuação se mantém correta encontra-se em:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 8, questão nº 10, questão nº 11, questão nº 12, questão nº 13.
- AImagina-se que tudo seja conhecido: senão por nós, por algum especialista, cujo mister seja saber aquilo que não sabemos. (alternativa correta)
- BTodavia, também somos bastante desprovidos de imaginação e, raramente, exceto quando crianças ou se somos poetas logramos conceber mais, do que meras duplicações dos acontecimentos.
- CSe é verdade que a capacidade de ficar perplexo é o começo da sabedoria, então, esta verdade, é um triste comentário à sabedoria do homem moderno.
- DQuando acordados, somos seres ativos, racionais, ávidos, por tentar obter o que desejamos e prontos a defender-nos contra qualquer ataque.
- EAgimos e observamos: vemos o mundo exterior, talvez não como seja mas, no mínimo de maneira tal que o possamos usar, e manipular.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A pontuação serve para organizar as frases, indicar pausas, separar elementos e dar clareza ao texto, seguindo regras gramaticais específicas para cada sinal (vírgula, ponto, dois-pontos, etc.).
(A) Correta: A substituição do travessão por dois-pontos é gramaticalmente aceitável, pois os dois-pontos introduzem uma explicação ou especificação do que foi dito antes ("tudo seja conhecido"). A vírgula após "especialista" introduz uma oração subordinada adjetiva explicativa ("cujo mister seja saber aquilo que não sabemos"), que é corretamente isolada por vírgula.
(B) Incorreta: Há erros como a vírgula desnecessária após "e" (conjunção aditiva), a falta de vírgula após "poetas" para isolar a expressão intercalada "exceto quando crianças ou se somos poetas", e a vírgula indevida após "mais" na comparação "mais do que".
(C) Incorreta: A vírgula após "então" é opcional, mas as vírgulas que isolam "esta verdade" estão incorretas, pois separam o sujeito ("esta verdade") do seu verbo ("é"). Armadilha da banca: A vírgula após "então" pode parecer correta, levando o aluno a ignorar o erro grave de separar o sujeito do verbo.
(D) Incorreta: A vírgula após "ávidos" está incorreta, pois separa o adjetivo do seu complemento ("por tentar obter o que desejamos").
(E) Incorreta: A vírgula após "mas" está incorreta. Além disso, a vírgula antes de "e manipular" é desnecessária, pois "usar e manipular" são verbos coordenados sem que haja uma longa enumeração ou sujeitos diferentes.
Fonte: FCC TRT22 2022 Conhecimentos Comuns (Área Apoio Especializado TRT22 2022) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.