Questão nº 1
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT22 2022 (nº 1)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 7, baseie-se no texto abaixo.
O rio de minha terra é um deus estranho.
Ele tem braços, dentes, corpo, coração,
muitas vezes homicida,
foi ele quem levou o meu irmão.
É muito calmo o rio de minha terra.
Suas águas são feitas de argila e de mistérios.
Nas solidões das noites enluaradas
a maldição de Crispim desce
sobre as águas encrespadas.
O rio de minha terra é um deus estranho.
Um dia ele deixou o monótono caminhar de corpo mole
para subir as poucas rampas do seu cais.
Foi conhecendo o movimento da cidade,
a pobreza residente nas taperas marginais.
Pois tão irado e tão potente fez-se o rio
que todo um povo se juntou para enfrentá-lo.
Mas ele prosseguiu indiferente,
carregando no seu dorso bois e gente,
até roçados de arroz e de feijão.
Na sua obstinada e galopante caminhada,
destruiu paredes, casas, barricadas,
deixando no percurso mágoa e dor.
Depois subiu os degraus da igreja santa
e postou-se horas sob os pés do Criador.
E desceu devagarinho, até deitar-se
novamente no seu leito.
Mas toda noite o seu olhar de rio
fica boiando sob as luzes da cidade.
No poema, o eu lírico
Este texto de apoio vale também pra questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7.
- Aalega desconhecer as causas da violência das águas.
- Batribui características humanas a elementos da natureza. (alternativa correta)
- Crecorre a contradições para configurar o caráter insólito do rio.
- Dlamenta o fim trágico e inesperado dos acontecimentos.
- Emostra-se pessimista com relação aos rumos da modernidade.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave aqui é personificação, que acontece quando o autor dá características ou ações de seres humanos a coisas inanimadas, animais ou elementos da natureza. É uma figura de linguagem para tornar a descrição mais vívida e expressiva.
- (A) Incorreta: O eu lírico não alega desconhecer as causas, mas sim descreve o rio como uma entidade com vontade própria, que age de forma violenta e "homicida", atribuindo-lhe agência.
- (B) Correta: O poema está repleto de exemplos de personificação, onde o rio é descrito com "braços, dentes, corpo, coração", é "homicida", "conhecendo" a cidade, "irado", "indiferente", "obstinada", "subiu os degraus da igreja" e tem um "olhar". Isso atribui características humanas a um elemento da natureza.
- (C) Incorreta: Embora haja um contraste entre a calma e a violência do rio ("muito calmo" vs. "homicida"), a principal forma de configurar o caráter "insólito" (estranho) do rio é através da personificação, ou seja, dando-lhe qualidades e ações humanas, e não apenas por contradições.
- (D) Incorreta: O poema descreve eventos trágicos causados pelo rio, como a morte do irmão e a destruição, mas o foco principal não é lamentar o fim dos acontecimentos, e sim descrever a natureza poderosa e imprevisível do rio em si.
- (E) Incorreta: Não há no poema uma crítica ou pessimismo explícito em relação aos "rumos da modernidade". A menção à "cidade" e às "taperas marginais" serve como cenário para a ação do rio, não como tema central de um comentário sobre a modernidade.
Fonte: FCC TRT22 2022 Conhecimentos Comuns (Área Apoio Especializado TRT22 2022) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.