Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT22 2022 (nº 6)
Lembram-se da história de Tristão e Isolda? O enredo gira em torno da transformação da relação entre os dois protagonistas. Isolda pede à criada, Brangena, que lhe prepare uma poção letal, mas, em vez disso, ela prepara-lhe um “filtro de amor”, que tanto Tristão como Isolda bebem sem saber o efeito que irá produzir. A misteriosa bebida desperta neles a mais profunda das paixões e arrasta-os para um êxtase que nada consegue dissipar − nem sequer o fato de ambos estarem traindo infamemente o bondoso rei Mark. Na ópera Tristão e Isolda*, Richard Wagner captou a força da ligação entre os amantes numa das passagens mais exaltadas da história da música. Devemos interrogar-nos sobre o que o atraiu para essa história e por que motivo milhões de pessoas, durante mais de um século, têm partilhado o fascínio de Wagner por ela.*
A resposta à primeira pergunta é que a composição celebrava uma paixão semelhante e muito real da vida de Wagner. Wagner e Mathilde Wesendonck tinham se apaixonado de forma não menos insensata, se considerarmos que Mathilde era a mulher do generoso benfeitor de Wagner e que Wagner era um homem casado. Wagner tinha sentido as forças ocultas e indomáveis que por vezes conseguem se sobrepor à vontade própria e que, na ausência de explicações mais adequadas, têm sido atribuídas à magia ou ao destino. A resposta à segunda questão é um desafio ainda mais atraente.
Existem, com efeito, poções em nossos organismos e cérebros capazes de impor comportamentos que podemos ser capazes ou não de eliminar por meio da chamada força de vontade. Um exemplo elementar é a substância química oxitocina. No caso dos mamíferos, incluindo os seres humanos, essa substância é produzida tanto no cérebro como no corpo. De modo geral, influencia toda uma série de comportamentos, facilita as interações sociais e induz a ligação entre os parceiros amorosos.
Não há dúvida de que os seres humanos estão constantemente usando muitos dos efeitos da oxitocina, conquanto tenham aprendido a evitar, em determinadas circunstâncias, os efeitos que podem vir a não ser bons. Não se deve esquecer que o filtro de amor não trouxe bons resultados para o Tristão e Isolda de Wagner. Ao fim de três horas de espetáculo, eles encontram uma morte desoladora.
mas, em vez disso, ela prepara-lhe um “filtro de amor” (1º parágrafo)
que podem vir a não ser bons. (4º parágrafo)
Os pronomes sublinhados acima referem-se, respectivamente, a
- AIsolda − efeitos (alternativa correta)
- Bfiltro de amor − efeitos
- Cfiltro de amor − determinadas circunstâncias
- DBrangena − efeitos
- EIsolda − oxitocina
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Referência pronominal é a capacidade de um pronome (palavra que substitui ou acompanha um nome) de retomar um termo já mencionado no texto (seu antecedente) ou de se referir a algo que será dito, garantindo a coesão textual.
- (A) Correta: O pronome "lhe" (primeiro parágrafo) refere-se a Isolda, pois é para ela que a criada Brangena prepara o filtro de amor, atendendo ao pedido inicial de Isolda. O pronome "que" (quarto parágrafo) é um pronome relativo que retoma o termo imediatamente anterior, "os efeitos", indicando que são os efeitos que podem vir a não ser bons.
- (B) Incorreta: O pronome "lhe" não se refere ao "filtro de amor" (que é o objeto direto, o que é preparado), mas sim a quem o filtro é preparado (Isolda).
- (C) Incorreta: O pronome "lhe" não se refere ao "filtro de amor". O pronome "que" não se refere a "determinadas circunstâncias", mas sim aos "efeitos".
- (D) Incorreta: O pronome "lhe" não se refere a "Brangena"; Brangena é quem prepara ("ela prepara"), e "lhe" indica para quem ela prepara (Isolda).
- (E) Incorreta: O pronome "que" não se refere a "oxitocina", mas sim aos "efeitos" da oxitocina.
Fonte: FCC TRT22 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade Oficial de Justiça Avaliador Federal (Caderno Tipo 2). Reproduzida para fins de estudo.