Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT22 2022 (nº 3)
Lembram-se da história de Tristão e Isolda? O enredo gira em torno da transformação da relação entre os dois protagonistas. Isolda pede à criada, Brangena, que lhe prepare uma poção letal, mas, em vez disso, ela prepara-lhe um “filtro de amor”, que tanto Tristão como Isolda bebem sem saber o efeito que irá produzir. A misteriosa bebida desperta neles a mais profunda das paixões e arrasta-os para um êxtase que nada consegue dissipar − nem sequer o fato de ambos estarem traindo infamemente o bondoso rei Mark. Na ópera Tristão e Isolda*, Richard Wagner captou a força da ligação entre os amantes numa das passagens mais exaltadas da história da música. Devemos interrogar-nos sobre o que o atraiu para essa história e por que motivo milhões de pessoas, durante mais de um século, têm partilhado o fascínio de Wagner por ela.*
A resposta à primeira pergunta é que a composição celebrava uma paixão semelhante e muito real da vida de Wagner. Wagner e Mathilde Wesendonck tinham se apaixonado de forma não menos insensata, se considerarmos que Mathilde era a mulher do generoso benfeitor de Wagner e que Wagner era um homem casado. Wagner tinha sentido as forças ocultas e indomáveis que por vezes conseguem se sobrepor à vontade própria e que, na ausência de explicações mais adequadas, têm sido atribuídas à magia ou ao destino. A resposta à segunda questão é um desafio ainda mais atraente.
Existem, com efeito, poções em nossos organismos e cérebros capazes de impor comportamentos que podemos ser capazes ou não de eliminar por meio da chamada força de vontade. Um exemplo elementar é a substância química oxitocina. No caso dos mamíferos, incluindo os seres humanos, essa substância é produzida tanto no cérebro como no corpo. De modo geral, influencia toda uma série de comportamentos, facilita as interações sociais e induz a ligação entre os parceiros amorosos.
Não há dúvida de que os seres humanos estão constantemente usando muitos dos efeitos da oxitocina, conquanto tenham aprendido a evitar, em determinadas circunstâncias, os efeitos que podem vir a não ser bons. Não se deve esquecer que o filtro de amor não trouxe bons resultados para o Tristão e Isolda de Wagner. Ao fim de três horas de espetáculo, eles encontram uma morte desoladora.
conquanto tenham aprendido a evitar, em determinadas circunstâncias, os efeitos que podem vir a não ser bons. (4º parágrafo)
Sem prejuízo para a correção gramatical e o sentido, a palavra sublinhada pode ser substituída por
- Aporquanto.
- Bassim.
- Ccomo.
- Dconforme.
- Eembora. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
As conjunções concessivas introduzem uma ideia de oposição ou contraste que, apesar de existir, não impede a realização da ação principal da frase. Elas indicam uma ressalva.
- (A) Incorreta: "Porquanto" é uma conjunção explicativa ou causal, significando "porque" ou "pois". Sua substituição alteraria o sentido da frase, transformando a concessão em causa.
- (B) Incorreta: "Assim" é um advérbio de modo ou uma conjunção conclusiva/explicativa, não possuindo valor concessivo.
- (C) Incorreta: "Como" pode ter valor comparativo, causal, conformativo ou de modo, mas não concessivo.
- (D) Incorreta: "Conforme" é uma conjunção conformativa, indicando conformidade ou acordo, e não concessão.
- (E) Correta: "Embora" é uma conjunção concessiva, sinônimo de "conquanto", "ainda que", "mesmo que" ou "apesar de que". Mantém o sentido de que, apesar de terem aprendido a evitar os efeitos negativos, os seres humanos ainda usam os efeitos da oxitocina.
Fonte: FCC TRT22 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade Oficial de Justiça Avaliador Federal (Caderno Tipo 2). Reproduzida para fins de estudo.