Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT21 2017 (nº 4)

FCC2017Analista Judiciário - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Atenção: Leia o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 9.

Além do ato instintivo, inconsciente, automático, puramente reflexo, evitação do sentimento doloroso, ocorre a infindável série dos gestos intencionais, expressando o pensamento pela mímica, convencionada através do tempo. Essa Signe Language, Gebärdensprache, Langue per Signes, Language per Gestes, tem merecido ensaios de penetração psicológica, indicando a importância capital como índices do desenvolvimento mental.

Desta forma o homem liberta e exterioriza o pensamento pela imagem gesticulada, com áreas mais vastas no plano da compreensão e expansão que o idioma. Primeira forma da comunicação humana, mantém sua prestigiosa eficiência em todos os recantos do mundo. As pesquisas sobre antiguidade e valorização de certos gestos, depoimentos insofismáveis de certos temperamentos pessoais e coletivos, índices de moléstias nervosas, apaixonam estudiosos.

A correlação dos gestos com os centros cerebrais, ativando-lhes a capacidade criadora, e não esses àqueles, possui, presentemente, alto número de defensores. Esclarecem-se, atualmente, a antiguidade e potência intelectual da Mímica como documento vivo, milenar e contemporâneo, individual e coletivo.

Não havendo obrigatoriedade do ensino mas sua indispensabilidade no ajustamento da conduta social, todos nós aprendemos o gesto desde a infância e não abandonamos seu uso pela existência inteira. Os desenhos paleolíticos registram os gestos mais antigos, de mão e cabeça, e toda literatura clássica, história, viagem, teatro, poemas, mostra no gesto sua grandeza de expressão insubstituível.

Não existe, logicamente, a mesma tradução literal para cada gesto, universalmente conhecido. Na famosa estória popular da Disputa por Acenos, cada antagonista entendia o gesto contrário de acordo com seu interesse. Negativa e afirmativa, gesto de cabeça na horizontal e vertical, têm significação inversa para chineses e ocidentais. Estirar a língua é insulto na Europa e América, é saudação respeitosa no Tibete. Vênias, baixar a cabeça, curvar os ombros, ajoelhar-se, elevar a mão à fronte, são universais. A mecânica da adaptação necessária a outras finalidades de convívio explica a multiplicação.

(Adaptado de: CASCUDO, Câmara, "Prefácio", em História dos Nossos Gestos. Edição digital. Rio de Janeiro: Global, 2012)


Mantendo-se a correção e, em linhas gerais, o sentido original, o segmento sublinhado em Não havendo obrigatoriedade do ensino... (4º parágrafo) pode ser substituído por:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Orações reduzidas de gerúndio (como "não havendo") são formas verbais que expressam uma circunstância (tempo, causa, condição, concessão, modo) em relação à oração principal. Para substituí-las, é preciso identificar a relação lógica que estabelecem no contexto.

  • (A) Incorreta: "Para que haja" indica finalidade (com o objetivo de que haja), o que altera completamente o sentido original, que fala sobre a ausência de obrigatoriedade, não um propósito para ela existir.
  • (B) Incorreta: "De modo que não haja" expressa consequência ou modo, sugerindo que a aprendizagem ocorre em função da não obrigatoriedade, o que não se alinha com o contraste introduzido pelo "mas" na sequência.
  • (C) Incorreta: "Se não há" indica condição. Embora o gerúndio possa expressar condição, a presença do "mas sua indispensabilidade" na frase original cria um contraste que a torna mais concessiva do que puramente condicional. A armadilha da banca aqui é que "não havendo" pode ser condicional em outros contextos, mas o "mas" subsequente é a chave para descartar essa opção e apontar para a concessão.
  • (D) Correta: "Embora não haja" expressa concessão (apesar de não haver). Essa conjunção capta perfeitamente o sentido de contraste que a frase original estabelece: "apesar de não haver obrigatoriedade, mas por ser indispensável, aprendemos". A concessão é a relação lógica mais adequada ao contexto.
  • (E) Incorreta: "Quando não há" indica tempo. A frase original não está se referindo a um momento específico em que a obrigatoriedade não existe, mas sim a uma circunstância que contrasta com a indispensabilidade do gesto.

Fonte: FCC TRT21 2017 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho