Questão nº 10
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT2 2018 (nº 10)
De cabeça pra baixo
− Esse mundo está ficando de cabeça pra baixo!
É uma conhecida frase, que sucessivas gerações vêm frequentando. Ela logo surge a propósito de qualquer coisa que se considere uma novidade despropositada, irritante: modelo de roupa mais ousada, último grande sucesso musical, aumento milionário no salário de um jogador de futebol, a longa estiagem na estação chuvosa, a avalanche de crimes no jornal... A ideia é sempre demonstrar que a vida e o mundo já foram muito melhores, que a passagem do tempo leva inexoravelmente à perversão ou ao desmoronamento dos valores autênticos, que uma geração construiu e que a seguinte apagou.
Parece que na história da humanidade o fenômeno é comum e cíclico: as pessoas enaltecem seus hábitos passados e condenam os presentes. “Ah, no meu tempo...” é uma expressão que vale um suspiro e uma acusação. Algo de muito melhor ficou para trás e se perdeu. A missão dessa juventude de hoje é desviar-se da Civilização....
A ironia é que justamente nesses “desvios” e por conta deles a História caminha, ainda que não se saiba para onde. Fosse tudo uma repetição conservadora, nenhuma descoberta jamais se daria, sem contar que os mais velhos já não teriam do que se queixar e a quem imputar a culpa por todos os desassossegos que assaltam todas as gerações humanas, desde que existimos.
(Romildo Pacheco, inédito)
Alterando-se os tempos e modos verbais de um segmento do texto, mantém-se uma coerente e adequada articulação entre eles, na seguinte frase:
- AEra uma conhecida frase, que sucessivas gerações viessem a frequentar.
- BEla logo surgiria a propósito de qualquer coisa que se houver considerado uma novidade despropositada.
- CA ideia seria sempre demonstrar que a vida e o mundo já tivessem sido muito melhores. (alternativa correta)
- DAlgo de muito melhor haverá de ficar para trás e se perdera.
- EVindo a ser tudo uma repetição conservadora, nenhuma descoberta houvera de se dar.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A correlação verbal é a harmonia entre os tempos e modos dos verbos em uma frase, garantindo que a sequência de ações ou estados seja lógica e gramaticalmente correta. Se um verbo indica uma ação no passado, os verbos relacionados a ele devem seguir uma lógica temporal consistente.
- (A) Incorreta: A correlação entre "Era" (pretérito imperfeito do indicativo) e "viessem a frequentar" (pretérito imperfeito do subjuntivo) é inadequada para expressar a ideia de uma ação contínua que se estende até o presente, como no original "vêm frequentando". "Viessem a frequentar" sugere uma condição ou desejo passado, não uma continuidade.
- (B) Incorreta: A combinação de "surgiria" (futuro do pretérito do indicativo) com "houver considerado" (futuro do subjuntivo composto) não forma uma correlação natural ou coerente neste contexto. O futuro do subjuntivo composto é usado para ações futuras hipotéticas que estarão concluídas antes de outra ação futura, o que não se alinha com o sentido de "surgiria" como uma consequência condicional geral.
- (C) Correta: A correlação entre "seria" (futuro do pretérito do indicativo) e "tivessem sido" (pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo) é perfeitamente coerente. "Seria" expressa uma ideia hipotética ou condicional, e "tivessem sido" expressa uma ação passada hipotética ou irrealizada, que se encaixa bem como o conteúdo dessa ideia. Exemplo: "Seria bom que ele tivesse vindo."
- (D) Incorreta: A sequência "haverá de ficar" (futuro do presente do indicativo) e "perdera" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo) é temporalmente incoerente. Não se pode ter uma ação no futuro e, em seguida, uma ação no passado anterior a outro passado, sem uma estrutura temporal que justifique essa relação.
- (E) Incorreta: A forma "Vindo a ser" (gerúndio composto) não substitui adequadamente a condição expressa por "Fosse" (pretérito imperfeito do subjuntivo). Além disso, a correlação com "houvera de se dar" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo) é inadequada, pois "houvera de se dar" indica um passado anterior, enquanto a frase original ("se daria") expressa uma consequência condicional no futuro do pretérito.
Fonte: FCC TRT2 2018 Conhecimentos Comuns (Apoio TRT2 2018) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.