Questão nº 11

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT18 2022 (nº 11)

FCC2022Comum Técnico - Área Apoio EspecializadoLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Leia o texto "Ardil da desrazão", de Eduardo Giannetti, para responder às questões de números 10 a 13.

Imagine uma pessoa afivelada a uma cama com eletrodos colados em suas têmporas. Ao se girar um botão situado em local distante, a corrente elétrica nos eletrodos aumenta em grau infinitesimal, de modo que o paciente não chegue a sentir. Um hambúrguer gratuito é então ofertado a quem girar o botão. Ocorre, porém, que, quando milhares de pessoas fazem isso − sem que cada uma saiba das ações das demais −, a descarga elétrica gerada é suficiente para eletrocutar a vítima. Quem é responsável pelo quê? Algo tenebroso foi feito, mas de quem é a culpa? O efeito isolado de cada giro do botão é, por definição, imperceptível − são todos "torturadores inofensivos". Mas o efeito conjunto é ofensivo ao extremo. Até que ponto a somatória de ínfimas partículas de culpa se acumula numa gigantesca dívida moral coletiva? − O experimento mental concebido pelo filósofo britânico Derek Parfit dá o que pensar. A mudança climática em curso equivale a uma espécie de eletrocussão da biosfera. Quem a deseja? A quem interessa? O ardil da desrazão vira do avesso a "mão invisível" da economia clássica. O aquecimento global é fruto da alquimia perversa de incontáveis ações humanas, mas não resulta de nenhuma intenção humana. E quem assume − ou deveria assumir − a culpa por ele? Os 7 bilhões de habitantes da Terra pertencem a três grupos: o primeiro bilhão, no cobiçado topo da escala de consumo, responde por 50% das emissões de gases-estufa; os 3 bilhões seguintes por 45%; e os 3 bilhões na base da pirâmide (metade sem acesso a eletricidade) por 5%. Por seu modo de vida, situação geográfica e vulnerabilidade material, este último grupo − o único inocente − é o mais tragicamente afetado pelo "giro de botão" dos demais.

(GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)


Eduardo Giannetti dirige-se explicitamente a seu leitor no seguinte trecho:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 10, questão nº 12, questão nº 13.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O autor se dirige explicitamente ao leitor quando usa formas verbais ou pronominais que o interpelam diretamente, como o imperativo (dando uma "ordem" ou convite) ou pronomes de segunda pessoa (você/tu).

  • (A) Incorreta: O autor faz uma afirmação sobre o efeito do giro do botão, descrevendo os "torturadores inofensivos", mas não se dirige diretamente ao leitor.
  • (B) Correta: O verbo "Imagine" está no imperativo, convidando o leitor a realizar uma ação mental (visualizar a cena), o que é uma forma explícita de direcionamento.
  • (C) Incorreta: O autor faz uma constatação sobre o experimento de Parfit, sem interpelar o leitor.
  • (D) Incorreta: O autor faz uma afirmação sobre a relação entre o "ardil da desrazão" e a "mão invisível", sem se dirigir ao leitor.
  • (E) Incorreta: O autor faz uma constatação sobre o efeito conjunto, sem interpelar o leitor. A armadilha aqui é que a frase é impactante e central para a ideia, mas não é uma interpelação direta ao leitor; é uma conclusão do autor sobre o cenário.

Fonte: FCC TRT18 2022 Conhecimentos Comuns (Técnico - Área Apoio Especializado) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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